#brasilnasduplas

A hashtag mais querida do tênis brasileiro no momento tem uma historinha por trás. Na próxima atualização do ranking de simples não teremos nenhum brasileiro no top 100, enquanto atualmente temos seis brasileiros no top 100 de duplas. Viramos o país das duplas?

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A verdade é que sempre tivemos sucesso nas duplas. O último ano em que não tivemos um tenista se quer no top 100 na temporada inteira foi 1996. Em simples, isso aconteceu em 2007. Nas tabelas abaixo, listo: 1) os tenistas brasileiros que passaram pelo top 100 nos últimos 17 anos, que totalizam 15 atletas e 56 títulos. 2) quantidade de tenistas por país e a soma de seus títulos.

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Por que temos tanto sucesso nas duplas se não é incentivado?

Essa é uma pergunta difícil de responder, não só voltada para o Brasil, como para qualquer país. Duplas geralmente é praticada para dois fins: recreacional, que é utilizado mais em jovens para estimular o trabalho em equipe e o posicionamento correto em quadra ou naquela partida de domingueira com os amigos, e no treino propriamente dito, para melhorar fundamentos como voleio. O ‘treinar para ser duplista’ é extremamente difícil de se ver, não é algo que especificamente existe, até porque é difícil escolher algo que oferece menos dinheiro e oportunidades. É mais uma escolha do tenista, que percebe que seu jogo se adaptaria melhor no circuito de duplas.

Os países que têm mais tenistas no top 100 possuem um apoio muito forte ao tênis. Talvez por esse apoio garantido os tenistas sentem-se mais à vontade em arriscar (e se dão bem).

Mas e os tenistas antigos, que eram bons tanto em simples quanto em duplas, como é o caso de Maria Esther Bueno? Por que não vemos mais isso?

O estilo de jogo antigamente era muito diferente do que é jogado agora. O saque e voleio era presença certa no jogo de simples, o que é raro de ver atualmente, como é o caso de Radek Stepanek e Michael Llodra. Esses dois, pra vocês verem, jogam simples e duplas extremamente bem. Simples é muito mais físico, com muita trocação de bola nos fundos e duração maior nas partidas. Duplas é mais tático, com uma duração menor, assim fazendo com que a possibilidade de erros diminua muito mais. Notem que a maioria dos melhores tenistas de simples que são muito mais fundistas não são lá a melhor coisa no mundo quando procuram jogar duplas, como é o exemplo de Novak Djokovic.

Por que nunca notamos este sucesso nas duplas?

Não só nós, como o mundo inteiro. Já escrevi um pouco sobre a maioria das coisas que citarei abaixo, mas vale repetir. Qualquer esporte é feito de grandes estrelas, com muitos patrocínios, mídia, comerciais… como se fossem rock stars. Em simples sempre tivemos esses grandes ícones, marcantes e que levam milhares para os estádios. Em duplas não. Os Bryan, por exemplo. São trocentas vezes campeões, assim como qualquer Nadal da vida. Têm uma fundação de caridade, como Djokovic. Possuem patrocinadores fortes, como Federer. Eles tem uma banda e são divertidos. Não parecem perfeitos para fazer um baita de um marketing? Mas já viram algum comercial com eles passando na televisão? Ou uma campanha no site da ATP? Sei lá, qualquer coisa que seja. Acho que o máximo que vi foi um wallpaper pra baixar no site da ATP. Os fãs de wallpaper vão adorar duplas agora.

Por que estamos notando agora?

Muitos motivos que acabaram coincidindo:

  • Os veículos de comunicação estão sendo essenciais para um crescimento do interesse em duplas. Pensamos assim: como você vai gostar de algo que é difícil de achar? Além dos direitos de transmissão de duplas sempre serem difíceis e fracos (muitos torneios, como todos do nível 500, não possuem transmissão liberada para a compra), os canais de televisão simplesmente não passavam duplas. Mas isso está, felizmente, mudando. Bandsports impressionou transmitindo todas as partidas dos brasileiros que foram jogadas em quadras com câmera em Roland Garros. Sportv fez sua lição de casa e transmitiu as finais de Bruno e Marcelo em Wimbledon. Fox Sports sempre passa duplas, não importa se for brasileiro disputando ou não, quando os VTs de corrida de carrinho e motinho estão esgotados.
  • Grand Slams, os maiores torneios do tênis. Qualquer um sabe de Roland Garros, ”aquele do Guga”. Acreditem, já vi parente meu se interessando por tênis momentaneamente porque era Roland Garros. A audiência de Grand Slams é bastante diferente da audiência normal do tênis. São nesses grandes torneios que a atenção torna-se bem maior, atraindo um possível público novo.
  • As redes sociais são de grande importância em todos os assuntos, já que são nelas que as pessoas estão sempre conectadas. Nossos duplistas estão utilizando redes como Twitter e Facebook para ficar mais pertinho dos fãs e sempre manterem todos atualizados. Simpatia e informação ganha público.
  • O povo gosta de ver brasileiro ganhando, e é o que não falta por parte dos duplistas ultimamente.
  • Nosso principal tenista de simples ficou fora um tempo. Querendo ou não, isso acaba abrindo um pouquinho de espaço para os outros tenistas.

E isso é ótimo. Só mostra o quanto estamos celebrando esse momento do tênis brasileiro, com tudo dando certo. É hora de aproveitar todo essa atenção e deixar frutos para o futuro. E que esse sucesso seja infinito.

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2 comentários sobre “#brasilnasduplas

  1. Muito bom o post, Aliny! Gostei particularmente da parte “…quando não estão passando VT de carrinhos e motinhos”, nossa, como issome irrita! Gosto de duplas, mais de assistir do que jogar e acho que os duplistas tem feito bastante sucesso. Torço para que isso aumente, pois as jogadas mais legais quase sempre vêmdas duplas.

  2. Pingback: 2013, dois mineiros e o Finals | Match Tie-Break

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