2013, dois mineiros e o Finals

2013 foi um ano atípico para as duplas. Sim, atípico, pelos muitos motivos que citarei ao decorrer deste post.

Mike Bryan levantou uma importante questão em uma entrevista para o USA Today. Quando os gêmeos se aposentarem, quem levantará a bandeira das duplas? Daniel Nestor, Max Mirnyi, Leander Paes e Mahesh Bhupathi, por exemplo, provavelmente estarão aposentados também, até lá. O último, inclusive, aposentará no próximo ano. 

Os irmãos Bryan mostraram uma clara dominância nas duplas este ano. Não que não estivesse claro nos outros anos, mas em 2013 foi bem, bem maior. Foi o melhor ano da carreira do time, no qual bateram vários recordes que  achávamos impossíveis de serem batidos. Com um ano tão incrível assim, o destaque na mídia foi tão incrível quanto, certo? Errado. As duplas continuaram apagadas pelas mídias de todo o mundo, inclusive nos Estados Unidos. Se nem com todos esses feitos da dupla mais bem sucedida de todos os tempos alguém prestou atenção, imagina sem eles?

Bob+Bryan+Barclays+ATP+World+Tour+Finals+Day+dxTmDMOTzugx

Pudemos sentir um pouquinho na pele de como seria sem as grandes estrelas das duplas em 2000/2002. A parceria de Todd Woodbridge e Mark Woodforde acabou em 2000, com a aposentadoria de Woodforde. Woodbridge continuou até 2005, mas a magia dos Woodies havia acabado. Neste exato período de 2000 até 2002, as duplas sofreram uma séria queda de status. Em 2002, a Masters Cup das duplas, o equivalente ao atual ATP Finals, não aconteceu por falta de público. Foi em 2002 também que os irmãos Bryan realmente apareceram para o mundo, mas foram se tornar os números 1 e o grande fenômeno que são hoje em meados de 2005. E foi neste mesmo ano de 2005, aliás, que a ATP implementou a mudança de regras nas duplas, utilizando o match tie-break e o ponto decisivo, com o objetivo de ter mais jogos de duplas na tv e mais simplistas jogando duplas, já que o tempo das partidas diminuíram.

Uma coisa é muito clara e eu já disse muito por aqui: o esporte é feito de estrelas e essas estrelas são tratadas como astros do rock. Sempre em comerciais, anúncios, nas chamadas das partidas, a atração principal… Com os Bryan ou com qualquer outro duplista não é assim. As transmissões estão ficando escassas conforme o tempo passa, e o engraçado é que as mudanças no jogo de duplas, como a extinção do terceiro set e a inclusão dos games no-ad em que citei acima, foram implantadas justamente para aumentar o número de transmissões, de partidas jogadas nas quadras centrais e, assim, o interesse do público. Só que esse interesse não aumentou e a impressão que tenho é que a ATP desistiu de promover as duplas. Imaginem quando os Bryan, Mirnyi, Nestor e tantos outros pendurarem as suas raquetes, então.

Não sei se já notaram, mas as finais de duplas estão sendo agendadas para horários não muito interessantes para um possível público novo. Muito antes da final de simples ou até mesmo na quadra secundária. Claro, isso para as finais, porque as partidas de outras rodadas estão nas últimas e mais longínquas quadras.

E a bola de neve do desastre só aumenta. A Grã-Bretanha anunciou no último dia 8 que os duplistas não receberão mais o apoio financeiro que antes recebiam. Um tanto quanto irônico, já que são um dos maiores formadores de duplistas da atualidade, sendo 6 no top 100. Tirando Andy Murray, todo o sucesso do tênis britânico depende de caras como Jamie Murray, Colin Fleming e Dominic Inglot, todos no top 30. É extremamente triste esse rumo que as duplas estão tomando. O futuro é incerto e um tanto quanto assustador.

Trocando para um assunto mais feliz, a temporada de Bruno Soares e Marcelo Melo acabou, mesmo que com um final nem tão feliz assim. Não atingiram a final do ATP Finals, mas terminaram como primeiros de seus grupos. E bem, estavam lá no Finals! A eliminação de ambos doeu, mas o orgulho permaneceu. Bruno, neste ano, conquistou seis títulos, fez final em dois grand slams, 16 semifinais, atingiu o melhor ranking da carreira e terminou como a segundo melhor dupla da temporada ao lado de Alexander Peya , enquanto Marcelo levantou dois canecos, fez final em Wimbledon, atingiu o melhor ranking na carreira (5º do mundo) e junto a Ivan Dodig, formaram a terceira melhor dupla de 2013. Com tudo isso, o interesse nas duplas aqui no Brasil cresceu bastante, mesmo com a escassez de transmissões em torneios (com exceção dos grand slams). Eu não disse que tinha algo bem feliz em tudo isso?

Bruno+Soares+Barclays+ATP+World+Tour+Finals+hRHnDTe-_afx

Marcelo+Melo+Barclays+ATP+World+Tour+Finals+zXSozN2hJl8x

Sobre os outros no Finals, o torneio foi um repeteco do ano passado: uma dupla espanhola campeã, mesmo com uma temporada não tão forte. David Marrero e Fernando Verdasco conquistaram apenas o segundo título da temporada com o Finals. O outro? O 250 de São Petersburgo. Que os espanhois foram impecáveis no Finals, isso eu não posso negar. Fizeram um torneio muito sólido e tiveram apenas uma derrota, essa para Peya/Soares. Mas a sensação de ‘tá, no Finals foi bom, mas não mereceram pelo o que fizeram no resto do ano’ ainda fica. 

David+Marrero+Barclays+ATP+World+Tour+Finals+4t3MKbQ_Zn6x

Leander Paes e Radek Stepanek decepcionaram, mas foi o esperado, já que não jogavam juntos desde o título no US Open. Aisam-ul-Haq Qureshi e Jean-Julien Rojer encerraram os dois anos de parceria com outra campanha ruim no Finals. Assim como no ano passado, perderam todas as três partidas da fase de grupos, o que deixa um gosto amargo no fim da parceria. Já Mariusz Fyrstenberg e Marcin Matkowski impressionaram, apesar das duas derrotas. Fizeram um primeiro jogo muito bom e levaram para o match tie-break as outras duas. Com a classificação dias antes do Finals começar, a impressão que passavam é que seriam a dupla mais fácil do grupo, o que provou o contrário, já que a disputa pela segunda vaga do grupo foi direta na última partida contra os Bryan. E por fim, Marcel Granollers e Marc Lopez não conseguiram manter o forte ritmo que apresentaram no Finals do ano passado, perdendo duas partidas e não impressionando, assim como foi o ano de 2013 deles.

Durante este brilhante 2013, escrevi algumas coisas aqui no blog que talvez interessem vocês:
Mais do que motivos – a história de Ivan Dodig
10 motivos para gostar de Marcelo Melo
Sobre Paes, Bhupathi, Bopanna e Mirza
#brasilnasduplas – O que acontece no Brasil e no mundo quando se trata de duplas?
10 motivos para gostar de Alexander Peya

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6 comentários sobre “2013, dois mineiros e o Finals

  1. Pergunta básica: para a organização, campeonato de duplas dá lucro? Se dá lucro sempre vai ter duplas e se dá lucro por que não promovem? O que seria interessante é alguma estrela de simples, depois de “encerrar” a carreira ir para as duplas mas isso é complicado de acontecer. Outra coisa seria mais atletas, como Dodig e Verdasco, fazerem um bom circuito de duplas durante a temporada. Então mais gente vai querer ver duplas. Basicamente é colocar mais simplistas em duplas e promover o evento quando isso acontecer. Parece fácil mas não é. Talvez aumentando premiações mas aí voltamos à primeira pergunta e o processo entra em looping. Realmente complicado.

    • O problema dos simplistas no circuito de duplas é que eles tiram vagas dos duplistas nos torneios, o que nem é tão favorável assim para os de ranking mediano.

      A questão do lucro é complicada, até porque o interesse diminuiu muito e não é escondendo as duplas que vai solucionar isso. Até porque se não for ‘lucrativo para a organização’, as duplas ficarão assim para sempre, certo? É preciso que alguns riscos sejam tomados, sejam lucrativos ou não.

  2. Aliny, você acha que a vitória da dupla Marrero-Verdasco, com sua escassez de outros títulos durante o ano, comprova aquela máxima de que “em terra de duplista, quem joga simples é rei”? Afinal, Verdasco já foi top 10, jogou o Finals nas simples etc.

    Será que essa percepção de que os jogadores de simples são tecnicamente muito superiores aos de duplas também não acaba atrapalhando as coisas pros duplistas?

    E outra: será que os Bryans, como bons americanos, não estão se dando importância demais, não? rsrs… Seria como pensar que o tênis acabaria após a aposentadoria de Sampras e Agassi. O que, como a gente pode ver, não aconteceu.

    • No Finals, eu concordo com essa do simplista. Até porque a base do jogo de Marrero/Verdasco pelo torneio inteiro foi jogo de fundo, só nas marretadas de forehand. Isso incomodou a todos que jogaram contra eles, simplesmente não dava pra segurar na rede as marretadas de fundo.

      Já no circuito não sei se concordo. Claro, acontecem casos de times de simplistas avançando nos torneios, mas como os simplistas estão lá pra… bem, você sabe, jogar simples, fica difícil adaptar o estilo para as duplas em cada torneio.

      Sobre os Bryan… pior que concordo com eles. Se tá ruim agora com eles, imagine sem. A realidade é bem pior do que perder um Sampras ou um Agassi. Quando eles forem, Nestor/Mirnyi/Paes terão ido também. Jovens talentos demoram a aparecer nas duplas, já que é um jogo totalmente diferente de simples e não é algo muito jogado quando juvenil. É preciso amadurecer no circuito, isso leva mais tempo do que no simples.

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