A maioria dos grandes duplistas passaram pelo tênis universitário americano. Apesar de duplas não ser praticado pelos melhores tenistas universitários, o jogo melhora suas habilidades, sendo essencial. O efeito em suas carreiras foram tão fenomenais que alguns deram declarações para vários meios de comunicação comentando sobre o assunto.

Bob e Mike Bryan, Stanford University

Bob e Mike frequentaram Stanford por um ano, em 1998, onde Bob conquistou a tríplice coroa da NCAA, algo nunca mais repetido desde então. A tríplice coroa consiste em conquistar o título de simples, duplas e por time. Bob foi a segunda e última pessoa a ter esse feito, sendo Alex O’Brien o primeiro, também por Stanford, em 1992. Em sua vitória nas duplas, Bob e Mike derrotaram Robert Lindstedt, outro tenista que optou pelo tênis universitário e que competiu pela Pepperdine University.

“Se não tivesse ido para Stanford, não estaríamos aonde estamos hoje. Os técnicos Dick Gould e John Whitlinger foram ótimos técnicos e líderes. Eles realmente ajudaram o nosso jogo, e claro, nossas duplas. Gould focava em um estilo de jogo agressivo e sempre nos dizia para trabalhar a devolução de backhand. Já Whitlinger passou horas e horas treinando com a gente e estava lá quando ganhamos o título de duplas da NCAA.”

Dick Gould, na época, via um futuro brilhante para os Bryan. Gould gostava tanto do entusiasmo que os gêmeos traziam para quadra que chegou a comentar que os dois poderiam ser os futuros duplistas no time americano da Copa Davis. Acertou em cheio.

Eric Butorac, Gustavus Adolphus College

Butorac é um dos raros casos que conseguiram se dar bem no circuito profissional vindo de uma faculdade de divisões inferiores da NCAA. Booty, como é conhecido, declarou que jogar duplas no tênis universitário o ensinou a trabalhar em equipe. “Tênis é um esporte individual, mas nas duplas você tem que trabalhar com outra pessoa. Isso inclui viagens, planejamento, estratégia, trabalho físico e lidar com vitórias e derrotas difíceis pela temporada. Levar as necessidades de outra pessoa em consideração foi uma habilidade que com certeza comecei a desenvolver na faculdade.”

Rajeev Ram, University of Illinois

Ram conquistou dois troféus da NCAA em seu tempo de faculdade, sendo um em duplas. Rajeev frisou a importância do tênis universitário em sua vida “Antes de ir para a faculdade, eu podia contar em uma mão as vezes que realmente joguei duplas, mas na faculdade eu jogava todos os dias. Essa quantidade de vezes explica o porquê das pessoas melhorarem seu jogo de duplas enquanto frequentam a faculdade.”

Perguntado se é melhor ir para o tênis universitário ou persistir na carreira de profissional, Ram mostrou sua experiência. “Se você não está tendo sucesso aos 17 ou 18 anos como Roddick e Querrey tiveram, não tem motivos para não ir para o tênis universitário. Você olha para caras sucedidos na carreira como John Isner, James Blake e Kevin Anderson… eu não acho, e eles provavelmente dirão o mesmo, que estariam aonde estão se não fosse pelo tênis universitário.”

Abigail Spears, University of California, Los Angeles (UCLA)

As mulheres também aproveitaram o tempo de faculdade para alavancar a carreira. Abigail Spears, 23ª do ranking de duplas da WTA, tornou-se profissional em 2000 após jogar tênis universitário pela UCLA. Sua parceira, Raquel Kops-Jones, também jogou tênis universitário, tendo um título de duplas da NCAA pela University of California-Berkeley.

Spears conta que aprendeu na UCLA a sempre ser positiva e trabalhar em equipe. “Encorajar e apoiar faz parte das duplas. Uma atitude positiva é a coisa mais frustrante que seu adversário pode ver em quadra, pois o fará duvidar do sucesso no andar da partida.”

Alguns profissionais, como o tenista Amer Delic e o técnico Nick Saviano, deram conselhos sobre seguir o tênis universitário antes de tornar-se profissional. 

Nick Saviano: A decisão de ir para a universidade ou tornar-se profissional é muito complicada, influenciada por diversos fatores. O primeiro é se você é homem ou mulher. São caminhos são completamente diferentes, porque os homens se desenvolvem mais devagar e acaba não sendo tão crítico para eles se desenvolverem tão precocemente. Com as mulheres, mesmo que não estejam se desenvolvendo tão rapidamente quanto costumava ser antigamente, ainda sim é mais rápido do que os homens.

Outros fatores são: você tem uma boa equipe? Você tem dinheiro para se sustentar durante os três anos que são necessários para uma boa transição para o profissional? Você está preparado, com um bom técnico e o físico impecável? Todas essas perguntas são componentes críticos para ser bem sucedido no circuito profissional, principalmente ter uma boa equipe com você, apoiando em todos os momentos.

Amer Delic: Eu joguei na universidade e foi, provavelmente, os melhores três anos da minha vida. Estar em um ambiente de equipe na universidade foi essencial. Infelizmente, no tênis, a única oportunidade que você tem de estar em um time é na Copa Davis, e nem todos conseguem chegar neste nível. Eu pude estar nestes dois ambientes, é incrível. É essencial para o desenvolvimento, já que muitos tenistas podem não estar prontos para tudo o que envolve o tênis: as viagens, todo o planejamento fora das quadras… eles não estão maduros o suficiente para isso.

Se eu tivesse um atleta comigo que precisasse decidir entre universidade ou tornar-se profissional, eu o aconselharia a ir para a universidade, por pelo menos um ano. Sabe, usar esse tempo para se preparar, e bem, você terá grandes técnicos, academias, tudo. Tudo será fornecido para você, então use, aproveite.

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