Como funciona a escolha de parceiro

O sueco Robert Lindstedt, número 19 do mundo, escreveu sobre como um duplista escolhe um novo parceiro para a temporada e resolvi traduzir, pois achei interessante seu ponto de vista. Espero que gostem.

“Recebi algumas perguntas e comentários sobre como funciona a procura de um novo parceiro. O que você procura em seu jogo? Então por que não escrever algumas linhas sobre isso?

Como perguntar é muito simples. “Você quer fixar uma parceria comigo? Acho que nós vamos funcionar bem juntos e podemos nos divertir muito!” Funciona tipo assim mesmo. Nosso nível de maturidade não é muito alto, pra ser honesto. O convite pode vir de uma mensagem de texto, ligação ou uma conversa com o tenista no torneio. Geralmente acontece depois do US Open. Tudo é muito secreto e ninguém deve saber o que está acontecendo. Mas uma coisa é certa: nada é secreto na tour. É como se fosse um jardim de infância, cheio de boatos.

O que você procura? Isso é mais complicado e todos são diferentes, procurando por coisas diferentes. Algumas vezes uma parceria que você tem certeza que funcionará, não funcionará, e vice-versa. As circunstâncias fazem mais diferença do que a qualidade dos jogadores em si.

 Primeiramente, você procura por alguém que joga no lado em que você não joga. Eu sei que soa ridículo, mas é coisa mais importante. Não é fácil trocar de lado, é possível, mas não é fácil. Você se torna um bom jogador quando você se especializa em um lado. É difícil mudar de lado, o que não tem nada a ver com a falta de talento de um tenista. A maior diferença é na rede, quando você precisa cruzar. Duplas é muito mais rápido do que simples, então seus instintos precisam trabalhar. E isso não é fácil de treinar.

Alguns caras procuram por um bom sacador, outros por um bom devolvedor. Eu mudei muito a minha opinião sobre isso durante os anos. Comecei na tour procurando por um bom devolvedor, mas mudei e agora prefiro por um parceiro com um bom saque. Talvez tenha a ver com os 3 anos que passei com Horia e seu serviço feito um canhão.

Uma coisa que é muito importante para mim é que preciso me dar muito bem com meu parceiro. Preciso ser muito amigo dele. Se não for assim, os treinos não serão bons, a comunicação em quadra será ruim e a confiança não existirá. Talvez eu seja um dos únicos que pensam assim. Conheço vários caras que veem isso como um trabalho, em que simplesmente convivem com isso, gastam suas horas e seguem caminhos diferentes no final do dia. Eu quase queria ser assim.

Então, quando tudo isso está finalmente decidido, você se senta com seu parceiro e conversa sobre tudo, técnico, fisioterapeuta e calendário. O calendário é o mais importante, é preciso que ambos concordem e se mantenham firmes até o fim. Jürgen e eu nos sentamos no seu quarto de hotel em Xangai, olhamos para o calendário e discutimos diferentes opções. Nós concordamos em tudo, exceto por um torneio ou outro, o que foi perfeito.

Agora, Jürgen precisa ficar em forma para começarmos a luta contra todos os outros. Nós contra eles. Nós contra o mundo.”

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