Ideia de Bhupathi ganha vida e IPTL começa com grandes estrelas

Mahesh Bhupathi, dono de 52 títulos em duplas, resolveu tocar a carreira de empresário. Quase aposentado e trabalhando como agente de Andy Murray no mercado asiático, o indiano de 39 anos criou a International Premier Tennis League (IPTL), que tem personalidades como Boris Becker e Justin Gimelstob de apoiadores, para promover o tênis na Ásia. O torneio segue os moldes da Indian Premier League (IPL), liga de críquete criada em 2008 que gera muito dinheiro e publicidade para o esporte mais popular da Índia.

O torneio

O torneio consistirá em quatro times que representarão quatro cidades: Manila, Cingapura, Nova Déli e Dubai. As partidas ocorrerão entre 28 de Novembro e 13 de Dezembro, começando nas Filipinas e seguindo para Cingapura, Índia e Emirados Árabes Unidos. Todos os quatro times competirão em cada uma das cidades por três dias.

Os times disputarão uma melhor de cinco sets, com as diferentes categorias disputando um set cada: simples masculino, simples feminino, duplas masculinas, duplas mistas e campeões do passado, sendo a ordem dos confrontos decidida pelo time da casa. Os sets serão no formato no-ad, ou seja, sem vantagem e cada confronto deverá terminar em até três horas e meia, feito nos moldes televisivos.

O tie-break, ao contrário do tênis clássico, que ocorre quando os tenistas atingem 6/6, será jogado no 5/5, mas no formato shoot out, que consiste em cinco minutos de jogo. A equipe que fizer mais pontos durante os cinco minutos, vence o set. Cada confronto será decidido de acordo com o total de games ganhos pelos times e caso esteja empatado, o super shoot out, nos mesmos moldes do shoot out, mas com sete minutos, será acionado, e somente o tenista que disputou a partida de simples masculino jogará o super shoot out, podendo ser substituído em caso de lesão.

O último set é decisivo. Se a equipe que estiver na frente vencer este set, o confronto terminará. Mas se a equipe que estiver atrás vencer e mesmo assim continuar com menos games, o set continuará a ser jogado até que a equipe com mais pontos vença um game ou que a equipe com menos games empate a partida, levando ao super shoot out.

O torneio conta com outras inovações, como o tempo técnico, que poderá ser chamado por uma vez em cada set, assim como o power point. Este, ao ser acionado, valerá dois pontos para o time que ganhar a disputa. Assim, será possível transformar um 0-15 em 30-15 ganhando apenas um ponto. Outro diferencial é a presença do relógio, o ‘shot clock’. Este será controlado pelos árbitros de cadeira, com os seguintes tempos devendo ser respeitados e qualquer violação resultando em um ponto para o time adversário: 20 segundos entre pontos, 45 segundos entre as trocas de lado, 60 segundos para tempo técnico e 3 minutos entre sets. Além disso, não há let e não é permitido errar o toss.

Os grandes nomes, marcados como ‘ícones’, podem jogar apenas em casa, na cidade em que seu time representa, não viajando para os outros países. Assim, cada time terá um ‘time titular’ e um ‘time de viagem’, além de um banco de reservas para eventuais lesões ou desistências. Cada cidade receberá seis partidas em três dias e cada time deverá ter um número mínimo de tenistas das diferentes categorias: ícones, categorias A, B, C e D e duplistas. Os times se enfrentarão num sistema todos contra todos em cada cidade, em casa e fora, totalizando 24 partidas.

Cada confronto ganho adicionará 4 pontos para a equipe. O time que perder o confronto mas somar mais de 20 games ganhará 2 pontos, entre 20-10 games ganhará 1 ponto e menos de 10 games dará 0 pontos. No final, a equipe que somar mais pontos será declarada a campeã da liga, levando um milhão de dólares para casa.

O draft

Os atletas se inscrevem para participar da liga e a escolha das equipes segue no estilo draft, com cada time escolhendo um tenista de cada vez. Os tenistas escolhidos receberão salário das equipes, que possuem um limite de dinheiro para ser gasto. Assim, terão que controlar os gastos e equilibrar as equipes. Os times poderão ter entre 6 e 10 membros. Um montante de $23,975,000 foram gastos no draft inicial.

Os times

Time Filipinas (28, 29 e 30 de Novembro): Andy Murray, Carlos Moya, Jo Wilfred Tsonga, Maria Sharapova, Daniel Nestor, Kirsten Flipkens, Treat Huey

Time Cingapura (2, 3 e 4 de Dezembro): Serena Williams, Andre Agassi, Patrick Rafter, Tomas Berdych, Lleyton Hewitt, Bruno Soares, Daniela Hantuchova, Nick Kyrgios

Time Índia (6, 7 e 8 de Dezembro): Roger Federer, Pete Sampras, Fabrice Santoro, Gael Monfils, Ana Ivanovic, Sania Mirza, Rohan Bopanna

Time Emirados Árabes Unidos: (11, 12 e 13 de Dezembro): Novak Djokovic, Caroline Wozniacki, Goran Ivanisevic, Nenad Zimonjic, Marin Cilic, Kristina Mladenovic, Malek Jaziri

A opinião de Bruno Soares

Bruno foi escolhido para jogar no time Cingapura, então bati um rápido papo com ele sobre a liga:

O que te mais atraiu para jogar a IPTL?
O que mais me atraiu para jogar a liga foram alguns fatores. Acho que o primeiro de todos, obviamente, é a parte financeira, que é muito boa. O segundo é a possibilidade de fazer parte de alguma coisa que pode ser revolucionária no nosso esporte. É um formato diferente, inovador e que está levando o que há de melhor do esporte para lá. Então acho que para mim, como tenista, vai ser muito bacana poder fazer parte de um grupo seleto de jogadores que vão estar participando deste evento.

A integração dos atletas parece que será a atração principal. Gostou do time em que foi escolhido?
Com certeza a integração entre os atletas vai ser a parte principal. O fato de você jogar por equipe, é uma experiência que a gente já tem na Copa Davis, te proporciona isso e é uma coisa muito agradável, muito bacana. E no caso da liga, ter a oportunidade de ter esse contato com pessoas de outros países, grandes jogadores, ex-jogadores, os famosos ‘legends’, como eles estão chamando, vai ser algo fantástico para mim.

E acho que foi legal o time em que fui escolhido. Eu me dou bem com todo mundo. Não tenho muita intimidade com as meninas, com a Serena e a Hantuchova, mas espero até lá conhecê-las um pouco melhor pessoalmente, né? Mas o resto dos caras são grandes atletas, pessoas que eu conheço e tenho uma relação boa, então acho que neste aspecto foi bem legal.

Você acha que isso atrapalha as férias e pré-temporada? Claro que só joga quem quer, mas o torneio pega novembro/dezembro e alguns dos tenistas que estão jogando são os que mais reclamam do calendário.
Eu acho que, sem dúvida nenhuma, atrapalha um pouco as férias e a pré-temporada. O grande lance de jogar a liga vai ser saber lidar muito bem com esse tempo que você vai ter. Vai ser importante você saber montar, não só sua pré-temporada, como seu descanso também, que, nessa época do ano, é extremamente importante para você chegar com gás e começar a pré-temporada e o ano que vem. Tem aquela declaração que todo mundo fala, que a temporada é longa, que tem muitos jogos… mas acho que isso é uma coisa de cada um. Cada um tem que colocar na balança o que vale a pena para ele e, sem dúvida, principalmente para o pessoal da simples, acho que o dinheiro pesa muito nesse evento. É uma coisa que faz um diferencial muito grande na hora da pessoa tomar essa decisão. Atrapalhar, vai, mas é muito importante saber se programar para que tudo ocorra bem.

A opinião dos fundadores e outros atletas

“Nós precisamos pensar fora da caixa, melhorar o esporte, ter ideias criativas e de pessoas criativas. Precisamos que as pessoas incentivem a deixar a ‘caixa’ maior, não menor. E, se fizermos isso, então todo mundo irá se beneficiar,” disse Gimelstob, um dos co-fundadores.

“É um plano muito grande e ambicioso. É algo que pode fazer nosso esporte mais atrativo e vantajoso para os tenistas e todos os fãs do mundo inteiro,” disse Berdych, que jogará pelo time Cingapura.

“Sendo um fã de críquete por muitos anos, pensei em como trazer a Indian Premier League para o tênis. O que seria difícil, já que é um esporte individual, mas aqui estamos. Nós temos alguns times incrivelmente fortes. Acho que dos 28 tenistas escolhidos, temos cerca de 21 campeões de Grand Slam,” declarou Bhupathi, o idealizador da IPTL.

“É divertido para os tenistas porque tênis é um esporte individual e é bom jogar alguma competição em times, como a Davis e a Fed Cup,” Bhupathi em meados do ano passado, quando anunciou a IPTL.

Direitos televisivos

A liga já ganhou atenção e a MP & Silva, gigante no ramo das transmissões esportivas, adquiriu os direitos televisivos do torneio. A MP & Silva possui os direitos de Roland Garros, NBA, Brasileirão, Premier League, Bundesliga e outros grandes eventos esportivos.

Missão

Promover o tênis na Ásia através de grandes exibições. Os fãs poderão escolher seus times e torcer, além de ver grandes estrelas do tênis com o torneio. O mercado asiático possui um potencial enorme de consumidores do esporte, seja assistindo na televisão, comparecendo ou praticando. A intenção de Bhupathi é crescer a liga a cada ano e adicionar mais times, trazendo outras estrelas.

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2 comentários sobre “Ideia de Bhupathi ganha vida e IPTL começa com grandes estrelas

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