O dia em que presenciei uma final de ATP 500 sozinha

Em um dia normal, eu escreveria uma notinha bem formal resumindo os acontecimentos dos sets, com resultado e tudo aquilo. Mas a final de duplas foi movida para a Quadra 1 do Jockey Club Brasileiro após a longa duração dos jogos de semifinal das chaves de simples masculina e feminina. Com a partida entre o espanhol Rafael Nadal e o italiano Fabio Fognini acontecendo na cheia quadra central, tive a oportunidade de acompanhar uns bons games da final sozinha. Mesmo.

Eu, eu mesma e Aliny

Eu, eu mesma e Aliny

O ponto alto de público na quadra foi de 15 pessoas, tirando o técnico e o preparador físico de Pablo Andujar, um fotógrafo e membros da organização que sentaram nas cadeiras para fazer volume enquanto planejavam trazer cerca de outros 15 convidados para a quadra. A tal fileira de cima da área reservada para a imprensa, pessoas com credencial e sócios do Jockey, agora estava reservada para convidados que nunca chegaram. Eu, aliás, estava sentada na tal fileira e tive que me mudar para uma abaixo, na esperança dos fantasmas chegarem.

Antes dos jogadores entrarem em quadra, Lars Graff, supervisor do torneio, notou minha presença. “Que ótimo, uma pessoa”, disse ironicamente. Damian Steiner, o árbitro da partida, notou que eu estava com o computador no colo, deduzindo que eu seria uma jornalista. “Sim, trabalho com duplas”, retruquei. Risadas depois, Martin Klizan e Philipp Oswald entraram em quadra. Klizan, ao também perceber minha presença, acenou como se tivesse entrando em uma lotada Quadra Central de Wimbledon e agradeceu o público presente.

A partida começou e o austríaco Marach voltou a reclamar da iluminação intensa do placar presente na quadra, dizendo para o árbitro durante a partida que era o terceiro dia de reclamações por parte de todos os tenistas. Bruno Soares explicou a tal situação após a derrota na semifinal, dizendo que o brilho é tanto que atrapalha o jogo de rede de todos.

Quando a partida de duplas chegou em 5/4, Nadal e Fognini terminou com vitória do italiano e algumas pessoas apareceram, batendo o recorde de 60 pessoas. Alguns games depois, Andujar grita obscenidades e, percebendo que a maioria dos presentes eram famílias com crianças pequenas, pediu desculpas ao público.

Após o fim de Nadal x Fognini, pessoas apareceram

Após o fim de Nadal x Fognini, pessoas apareceram

Assim que o primeiro set chegou ao fim, após marcações polêmicas durante o tie-break que declarou Klizan e Oswald os vencedores, mais pessoas apareceram. Chuto cerca de 200 pessoas, enquanto a fileira dos convidados fantasmas seguia sendo impedida de ser ocupada, causando revolta na maioria das pessoas presentes.

Lá pelo 2/1 a fileira foi liberada e devidamente ocupada, chegando num público ideal. No número, é claro, pois os comentários maldosos surgiram. “O cara de azul não joga nada, ele é o mais fraco e não merece nem o dinheiro”, disse um homem atrás de mim, falando de Oliver Marach, um dos jogadores que considero ser dos mais interessantes do circuito todo, com seu estilo peculiar de fundista e uma personalidade sensacional.

Martin Klizan e Philipp Oswald terminaram como campeões do torneio, levando seu segundo título juntos. O foco, porém, foi em Pablo Andujar, que quebrou o troféu ao tentar segurá-lo pela estrutura e que, apesar do vice-campeonato, molhou seu companheiro e o público com champanhe.

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Oswald, na zona mista após a vitória, mostrou felicidade com o título, mas insatisfação com a situação. “Não tivemos a oportunidade de jogar na central o torneio inteiro, não tínhamos nem a máquina do let  lá na quadra secundária durante a final, foi decepcionante, mas é sempre assim quando há quatro pessoas em quadra”, declarou o austríaco, acostumado com o tipo de situação.

Mesmo assim, no fim, a quadra 1 do Jockey Club sempre me pareceu ideal para receber os jogos de duplas, indo até um pouco contra do que sempre defendi. Apesar de ser uma secundária, possui o tamanho ideal para receber os jogos, o que cria o clima de ‘caldeirãozinho’ que Marcelo Melo, Bruno Soares e André Sá tanto falam. É uma quadra especial, com uma vista incrível e uma sensação agradável e, por mais que tenha tentado competir (sem sucesso) com uma partidaça como Nadal e Fognini, valeu a pena. A história agora fica aqui, guardada neste post.

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2 comentários sobre “O dia em que presenciei uma final de ATP 500 sozinha

  1. Eu era uma dessas pessoas que correram para a quadra 1 logo a após o jogo da quadra central ter terminado. Como muitos ali esperávamos que a final de duplas fosse na central. Fiquei triste por ter perdido o primeiro set, mas foi muito legal acompanhar as duplas de pertinho deu um sabor especial!!

  2. Muito legal seu relato, Aliny Calejon! Agradeço, de verdade, por agora ter tido a oportunidade de resgatar um pouco do primeiro set perdido, já que me foi tirada totalmente a possibilidade de assisti-lo pessoalmente. Essa sua solidão só ocorreu porque simplesmente não avisaram da mudança de quadra, em nenhum momento! Apesar de Nadal x Fognini ter sido um jogaço, não duvido nada que eu não pensaria duas vezes em deixá-lo para ver a final de duplas (fiz isso no jogo Nadal x Carreño Busta), ainda mais com o Pablo Andújar, do qual sou fã desde a semifinal do Rio Open 2014.

    Enfim, foi uma surpresa muito desagradável, após o jogo na Quadra Central, ouvir um ‘até amanhã’ do narrador e ter que entrar no app da ATP para descobrir que o placar da final já estava 5×5. Não dá pra crer em tamanho descaso com os jogos de duplas: nem a final foi perdoada!

    Superadas as adversidades, cheguei o mais rápido que pude da quadra 1 (correndo, mesmo!), mas infelizmente o 11º game já tinha começado, e tive que OUVIR o final do 1º set, inclusive a virada no tie break. Mesmo que Pablo/Marach não tenham ganhado, foi um jogo especial para mim: depois de 3 jogos com brasileiros em quadra, finalmente pude externar minha torcida para o Pablo. ‘Rolou’ até um momento legal: 0x1 no 2º set, na virada de lado, no mesmo momento que eu gritei um ‘vamos, Pablo’, ele virou para o lado em que eu estava e perguntou para a torcida quem havia ganhado, e fez uma cara de surpresa quando respondemos ‘Fognini’. Ato contínuo, ele elogiou a torcida brasileira: foi quando batemos palmas. Pronto! Parece que naquele momento, não só a torcida foi pro lado dele como sobrou bom humor de sua parte. Tanto que, como você mesma comentou, apesar do 2º lugar, comemorou como se tivesse sido campeão, com direito a champagne na galera e tudo mais! No fim, ainda consegui tirar uma foto com ele. Um baita dia: para mim, o melhor do torneio!

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