Guia de Wimbledon

As comemorações de Roland Garros mal terminaram e cá estamos com Wimbledon batendo na porta. A chave do terceiro Grand Slam do ano foi sorteada nesta sexta-feira e seis brasileiros, os atuais campeões defendendo o título, velhos conhecidos em ação e muito mais estarão presentes no torneio mais tradicional do tênis.

Os campeões
Vasek Pospisil e Jack Sock terão a árdua tarefa de defender o título nesta edição. A preocupação fica por conta de Pospisil, que vem de repetidas lesões no ano, com a última sofrida em Nottingham, ao escorregar na grama em partida contra Granollers, desistindo por dor nas costas. Na primeira rodada, a dupla terá uma difícil missão contra o australiano Sam Groth, especialista no piso, e Sergiy Stakhovsky, constante ameaça nas chaves de duplas. Caso a vitória aconteça, o caminho para a defesa do título não ficará mais fácil, com os vencedores de Butorac/Fleming x Cermak/Oswald na segunda rodada e Murray/Peers numa possível oitavas de final.

Os vice-campeões e a chave mais complicada
Os americanos Bob e Mike Bryan, apesar de não terem disputado nenhum torneio na grama antes de Wimbledon, com a exceção da exibição em Boodles, não deverão ter problemas nas rodadas iniciais. A estreia fica por conta de Kretschmer/Satschko, que entraram de lucky losers após a desistência de Krajicek/Young. Porém, nas oitavas, a chave começa a complicar, com Klaasen/Ram entrando no caminho. A dupla formada pelo sul-africano e o americano vem de boas campanhas nos torneios preparatórios, com final em Manchester e o título em Halle. As quartas seguem o fluxo, com Bopanna/Mergea entre os candidatos a adversários, sendo uma das duplas mais completas e perigosas do circuito atualmente, e Matkowski/Zimonjic nas semifinais, fazendo a chave dos Bryan a mais técnica e complicada do torneio.

Os brasileiros
Seis brasileiros disputarão a chave principal do terceiro Grand Slam do ano. Além de Marcelo Melo, Bruno Soares, André Sá, Thomaz Bellucci e João Souza, que já estavam confirmados, Marcelo Demoliner contou com a desistência de Baghdatis/Coric e entrou na chave como lucky loser.

  • Marcelo Melo e Ivan Dodig: Os campeões de Roland Garros vêm embalados para a grama sagrada de Wimbledon. Sem partidas disputadas na temporada de grama mas com a confiança em alta e o desejo pelo título no torneio favorito de ambos, o mineiro e o croata estrearão contra os argentinos Mayer/Schwartzman. Times complicados como Cabal/Farah, Guccione/Sá, Marray/Nielsen e Cuevas/Marrero podem cruzar com a equipe até as quartas de final, além de Peya/Soares na semi. Melo e Dodig já estão em Londres fazendo a preparação para o torneio, visando adaptações como o quique baixo da bola e ritmo de jogo.
  • André Sá e Chris Guccione: No caminho de Dodig/Melo nas oitavas, a dupla vem em grande fase, embalados pelo ótimo resultado ao atingir a final do torneio de Nottingham. A estreia não é das mais agradáveis, mas é possível de lidar. Sá e Guccione terão os colombianos Juan Sebastian Cabal e Robert Farah pela frente, sendo uma caixinha de surpresas, uma vez que Farah ainda não se encontra 100% fisicamente por uma lesão no punho que se arrasta há semanas, podendo ser um fator negativo no melhor de 5 sets, além da grama não ser um piso favorável para a dupla.
  • Bruno Soares e Alexander Peya: Bruno e Peya vêm de vice campeonato em Stuttgart e semifinal em Queen’s, continuando a tradicional boa campanha antes do terceiro grand slam do ano. A dupla tem os espanhois Carreño Busta e Garcia-Lopez na estreia, com Nestor/Paes, Murray/Peers e Pospisil/Sock no caminho para as semifinais do torneio. No papel, a jornada não é a das mais fáceis, mas a instabilidade de Nestor/Paes e a forma física de Pospisil/Sock podem contar a favor de Bruno/Peya, que buscam se estabelecer mais uma vez. O possível duelo com Dodig/Melo na semifinal é agridoce para o público brasileiro, relembrando a recente quartas de final em Roland Garros.
  • João Souza e Victor Estrella Burgos: Além do brasileiro e dominicano virem de três derrotas consecutivas, incluindo Roland Garros, o sorteio também não colaborou. Na primeira rodada, Feijão e Burgos enfrentarão os experientes especialistas Julian Knowle e Andre Begemann e, caso passem, terão Horia Tecau e Jean-Julien Rojer na rodada seguinte, sendo um péssimo começo, antes mesmo do início da competição.
  • Thomaz Bellucci e Guillermo Duran: Em ritmo de recuperação da contratura nas costas sofrida em Nottingham, o que causou a desistência da chave duplas ao lado de Marcelo Melo, Bellucci e seu parceiro, o argentino Duran, terão uma estreia imprevisível contra Stepanek/Youzhny. O tcheco, que disputaria a chave com Tommy Haas, trocou de parceiro de última hora e unirá forças com o russo Mikhail Youzhny, que vem de campanhas instáveis. A vitória, que é possível, levaria Bellucci/Duran a um duelo com Bopanna/Mergea, sendo um dos maiores desafios que uma dupla poderia enfrentar nas rodadas iniciais.
  • Marcelo Demoliner e Marcus Daniell: Demo, como Demoliner é carinhosamente chamado, e Marcus Daniell, “homônimo” DAQUELE brasileiro, contaram com a sorte para coroar as boas semanas nos challengers disputados na grama. Vice em Surbiton e campeões em Ilkley, a dupla caiu na última rodada do qualifying de Wimbledon, mas contaram com a desistência de Baghdatis/Coric no último segundo, entrando na chave principal como lucky losers. Na estreia, enfrentarão a dupla formada por Haase/Paire, o que pode não ser complicado, visto o ódio declarado de Paire ao torneio e à superfície. Passando pelo ódio francês, o time estará no caminho de Bolelli/Fognini na segunda rodada.

Estreias complicadas
Guccione/Sá e Estrella Burgos/Feijão não estão sozinhos no clube das estreais complicadas. Klaasen/Ram x Andujar/Marach, Draganja/Kontinen x Hewitt/Kokkinakis, Butorac/Fleming x Cermak/Oswald, Pospisil/Sock x Groth/Stakhovsky e Cuevas/Marrero x Huey/Lipsky completam a lista de jogos interessantes na primeira rodada.

Mais uma vez
Velhos conhecidos de Wimbledon, Frederik Nielsen e Jonathan Marray, campeões da edição de 2012 e responsáveis por uma das campanhas mais surpreendentes da história do torneio, voltam a figurar na chave, mais uma vez com a condição de convidados. Em 2012, a dupla recebeu convite da organização e venceu cinco das sete partidas do torneio em cinco sets, incluindo a final, em que venceram o sueco Robert Lindstedt e o romeno Horia Tecau, vice-campeões pela terceira vez consecutiva naquele ano. Agora, em 2015, a Nielsen e Marray voltam ao All England e enfrentam os qualifiers Martin/Raja, estando no caminho dos vencedores de Cabal/Farah x Guccione/Sá.

Promessas
Apesar da temporada de grama ser curta e pouco provável de ser reproduzida em Wimbledon, pela grande diferença de velocidade entre as gramas de outros torneios e os cinco sets presentes, três duplas mostraram solidez nas três semanas preparatórias.

  • Raven Klaasen e Rajeev Ram: Campeões em Halle e finalistas em Manchester, a habilidosa dupla vem de boas campanhas misturadas com desempenhos duvidosos, sendo imprevisíveis na chave. Em dias inspirados, como em Halle, a dupla pode atrapalhar os planos dos irmãos Bryan logo cedo na competição.
  • Rohan Bopanna e Florin Mergea: A consistência de Bopanna e Mergea durante a temporada é uma das maiores do circuito, não deixando a grama de lado. O título em Stuttgart em cima de Peya/Soares e o vice campeonato em Halle, os únicos torneios que a dupla disputou no piso, aliados com as grandes performances no saibro deixam o indiano e o romeno como um os times para prestar a atenção. Em Wimbledon, não há mistérios nas rodada iniciais e o saque de Bopanna e a consistência de golpes de Mergea, principalmente na devolução, são a chave da parceria, que prometem surpreender.
  • Pierre-Hugues Herbert e Nicolas Mahut: O frescor de Herbert aliado à experiência de Mahut está dando frutos desde o Australian Open, no qual a dupla fez final. Na grama, os franceses conquistaram o título de Queen’s e o vice campeonato em s-Hertogenbosch, vindo com confiança e bom ritmo no piso, além do estilo de jogo apropriado para a grama. O primeiro grande desafio da dupla, se seguirem o embalo, deverá ser Matkowski/Zimonjic, outra dupla que apresentou consistência de resultados durante a temporada.
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