Notinhas sobre um número 1

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Para ouvir enquanto lê
Uma playlist para quando você se sentir número 1, incluindo três músicas que o próprio Marcelo escolheu.
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Hoje
Marcelo Melo assumiu oficialmente a liderança do ranking de duplas da ATP nesta segunda-feira. Após um ano brilhante, de muitas alegrias e conquistas, o mineiro coroará a temporada com o tão aguardado número 1.

Tudo em família
De uma família de tenistas, Marcelo também coroa toda o esforço feito pelos parentes para que se tornasse um tenista profissional. Seus dois irmãos mais velhos também foram jogadores, e quando chegou sua vez, o dinheiro apertou e o pequeno-gigante foi atrás de patrocinadores. De loja em loja e de fax em fax, Melo procurava alguém que o auxiliasse financeiramente, obstinado a continuar no esporte. Dedicado desde sempre.

A transição pras duplas
Com o melhor ranking em simples de 273 e os maiores títulos sendo em futures, enquanto a carreira de duplas estava ganhando uma dimensão um pouco maior, Marcelo pensou em optar pelas duplas. Além do incentivo da família, principalmente de Daniel Melo, a Centauro, seu patrocinador até hoje, impôs uma condição para que o apoio acontecesse: que Melo focasse nas duplas. O ano em que começou a ser duplista de ofício foi 2007 e o resto é história.

O porquê de ser um bom duplista
Algo que sempre perguntam. A altura e o estilo de jogo são uma combinação perfeita. Sempre adepto do saque e voleio, com ênfase no último, Marcelo parece ser feito para as duplas. Rápido com as mãos, jogar apenas em uma parte da quadra ajuda, uma vez que a altura diminui a mobilidade em quadra.

O tamanho do feito
O feito é maior ainda quando pensamos que aconteceu em época de irmãos Bryan. A dominância dos gêmeos é tão grande que a diferença de pontuação entre eles e o terceiro colocado normalmente chega ao dobro. Em um ano mais equilibrado, com vários times se destacando, Melo se destacou ainda mais, com uma consistência enorme durante os torneios.

Os caras lá de cima
Desde 2003, quando os Bryan atingiram o número 1 pela primeira vez, apenas Nenad Zimonjic conseguiu chegar no topo de forma inédita. Os irmãos foram destronados pela última vez em 2012 por Nestor e Mirnyi e desde então figuraram lá em cima por 143 semanas seguidas… até hoje.

Em boa companhia
Marcelo Melo será o segundo número 1 brasileiro da história no ranking da ATP, entrando num seletíssimo grupo. O primeiro e único a conseguir o feito? Gustavo Kuerten.

Gigante nas nuvens
O 2015 de Melo, que ainda tem Paris e Finals para acontecer, foi consistente. Nos 19 torneios que o mineiro disputou, 13 terminaram em semifinal ou melhor. Dos 19000 pontos que disputou, Marcelo conquistou 7680, sendo o maior pontuador da temporada. Também foi o ano com o maior número de títulos (5), maior número de vitórias (48) e menos derrotas (15).

De lá pra cá
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Um estranho no ninho
A evolução de Melo ao longo dos últimos anos é indiscutível. O período de transição foi em 2012, quando a parceria com Soares já estava encerrada e o mineiro foi atrás de um novo parceiro. Após iniciar o ano sem alguém fixo, um imprevisto fez Dodig entrar na sua vida. Em Memphis, quando Melo disputaria o torneio ao lado do também croata Ivo Karlovic, o gigante dos aces desistiu após problemas com o visto e foi aí que Dodig apareceu. O engraçado é que Marcelo não conhecia Dodig, assim como o croata também não conhecia o mineiro, mas mesmo assim chegaram até a final, perdendo para Max Mirnyi e Daniel Nestor no match tie-break. Um começo impressionante.

O prazer é meu, volte sempre
Jogar ao lado de um simplista significa ter alguns outros parceiros durante a temporada e em 2015 não foi diferente. Enquanto Dodig foi buscar alguns pontos para seu ranking de simples nos challengers europeus, Melo disputou três torneios com dois parceiros inéditos e o resultado disso tudo nós sabemos muito bem: três títulos. Neste ano, o mineiro teve seis parceiros diferentes. Além de títulos com Dodig, Klaasen e Kubot, Melo chegou na semifinal ao lado de Knowle, Soares e Mirnyi, não deixando ninguém insatisfeito com o produto. Voltem sempre.

Em busca de um reconhecimento maior
O número 1 me leva a pensar em várias coisas. A primeira é se os veículos de comunicação finalmente passarão a valorizar as duplas como um todo e se não será algo de ocasião, como aconteceu em Roland Garros com Melo. A festa foi bonita e o feito indiscutível, mas o tempo passou e tudo voltou ao normal. Outra é se finalmente Marcelo e Daniel Melo serão reconhecidos pelo trabalho incrível. Já vimos os irmãos serem ignorados em premiações do esporte de forma bizarra

Perguntas que não deveriam existir
O mesmo vale para os canais de televisão, que preferem não transmitir as poucas partidas de duplas que estão disponíveis com a justificativa de que não há público. Sim, isso aconteceu. Oras, agora temos um número 1 do mundo e campeão de slam, qual desculpa será utilizada? É preferível dizer que não há público e não passar ao invés de construir um e prestigiar? Veremos estas mesmas emissoras batendo no peito, levando a bandeira das duplas e fingirem que está tudo bem?

“Isso é muito ele”
Sabe aquelas coisas que acontecem e que você fica pensando ‘nossa, isso é muito a cara do fulano’, dando até pra imaginar a cena? Foi isso que pensei quando presenciei a seguinte cena em 2013: Brasil Open foi o último torneio que Ricardo Mello disputou na sua carreira, confirmando a aposentadoria. Lá estava eu andando pelo lado de fora do Ibirapuera quando avisto uma menina gritando pelo Marcelo, pedindo uma foto. Parei para ver a cena, afinal sempre é bacana ver o prestígio. Só que esse diálogo ocorreu:

Menina – Poxa, você vai se aposentar, né?
Marcelo – … eu vou?

Muito ele. Pra mais 32 momentos como este, clique aqui e seja feliz. 

O ano em fotos
Cinco títulos, um Grand Slam e o número 1.
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