Candidatos, não favoritos

Os dois torneios brasileiros, Rio Open e Brasil Open, tiveram a participação conjunta dos mineiros Marcelo Melo e Bruno Soares. No torneio realizado no Rio de Janeiro, a dupla caiu na semifinal, enquanto em São Paulo foram até às quartas. O peso dos apostos que seguem o nome de ambos é enorme, criando expectativas irreais. Melo é o ‘número 1 do mundo’, enquanto Soares é o ‘campeão de duplas masculinas e mistas do Australian Open’.

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Com esses dois títulos que sempre irão acompanhá-los, o público e a imprensa veem os dois mineiros como os principais favoritos a conquistar a medalha de ouro nos Jogos Olímpicos. O grande problema disso é que qualquer resultado diferente do esperado por estes (também conhecido como vitórias e títulos, nada além disso) causa comentários e reações tão irreais quanto as expectativas. Uma derrota na semifinal de um Masters 1000 vira ‘surpresa’. Uma queda nas quartas de final de um Grand Slam vira ‘decepção’. Ninguém no mundo irá vencer e só vencer, por mais positivo que seja o seu momento.

As derrotas nos dois torneios brasileiros foram muito parecidas. Eles cometeram alguns erros nas duas partidas e sabem disso, como admitiram nas coletivas pós-partidas, porém não há como tirar o mérito dos espanhois e dos argentinos, bem destacado pelos mineiros em suas declarações. Ambos os times, formados por excelentes tenistas de fundo, estavam jogando bem, acertando grandes devoluções e incomodando o jogo dos brasileiros, que não fizeram uma má atuação na gira latina.

Aliás, nem sei se considero os dois torneios como preparação olímpica. Por um lado, sim, já que disputar partidas juntos serve como base para ver os acertos e erros do momento e assim poder ajustar para o futuro. Por outro, não. O tipo de superfície, neste caso o saibro, enquanto nos Jogos Olímpicos será na dura, as bolas utilizadas no Rio Open, que Bruno sempre lembra a dificuldade de se adaptar, e o formato de jogo são alguns dos diversos fatores que me fazem pender para o lado do não. Completamente diferente.

Cheguei a ouvir a palavra ‘fracasso’ associada ao desempenho de Melo e Soares no Brasil saindo da boca de um jornalista de um grande veículo. Também me disseram que os mineiros pareciam estar de “salto alto” e que “o sucesso subiu à cabeça”. Em momento algum lembro de vê-los dizer que ganhariam todos os torneios, que são os principais favoritos nos Jogos Olímpicos ou qualquer coisa do tipo. Os pés sempre estiveram no chão.

A frase que mais concordei nessas duas semanas saiu da boca de Melo. “Eu não acho que somos favoritos a ganhar uma medalha. Somos candidatos a ganhar uma medalha e, pra mim, é um ponto de vista diferente”, disse o mineiro no Rio de Janeiro. A diferença entre favoritismo absoluto e ser um dos candidatos é gritante. Melo e Soares estão bem no circuito com seus parceiros, vivem uma grande fase no tênis e colocam o Brasil no mapa do tênis há anos, porém isso não os isola no topo da lista e não é garantia de medalha olímpica ou de total sucesso em todas as vezes que se juntarem.

A gira brasileira foi aquele tipo de situação em que, independente do que acontecesse, os mineiros não sairiam ganhando. Se fossem campeões, não teriam feito nada além do esperado: receberiam parabéns e a expectativa aumentaria ainda mais, ou seja, garantia de medalha de ouro na certa. Se perdessem, aquela tal palavra ‘decepção’ apareceria mais uma vez. Claro que o peso de ser a dupla formada pelo número 1 do mundo e o campeão de duplas masculinas e mistas no Australian Open sempre estará ali, e essas conquistas devem ser eternamente celebradas, porém o pé deve ser mantido no chão, como os próprios mineiros fazem.

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2 comentários sobre “Candidatos, não favoritos

  1. nessa situação, a imprensa sempre vai cornetar ou endeusar em qualquer país do mundo. o que importa é eles nem entrarem no “oba oba” nem no “tá tudo errado”. felizmente, quanto à postura do bruno e do marcelo eu nao tenho qualquer preocupação. só torço para que os dois joguem na quadra central na olimpíada porque não consegui ingresso nas secundárias buáááá

  2. Muitas vezes o oba oba é criado com intuitos associados ao marketing, esse tipo de discurso tem maior frequência na imprensa não específica. A maioria dos canais exclusivos de tênis tem mantido os pés no chão (embora tenha os “sobrenomes” vencedor do AO e #1 do mundo em alguns blogs por aí), quem é mestre pra ajudar nesse discurso de calma é o Meligeni, sempre dando porrada em quem põe pressão no Orlandinho ou no Monteiro, somos gratos por isso.

    Bom, concordo que os torneios no Brasil são menos do que mais preparação pras olimpíadas, principalmente por conta do macht tie breack, que tem deixado muita dupla boa na mão. Sobre isso, tenho perguntas Aliny. Como são os sets nas duplas olímpicas? Tem ponto decisivo, igual no Finals? São melhor de 3 sets ou 5?

    Valeu!
    E… Forte a “declaração” do Marcelo sobre beijos e amor… Kkkkkkkk
    Dentro do possível, façam podcast semanais… É muito bom!!!

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