Bruno Soares comemora conquistas no Conselho dos Jogadores: “O nosso objetivo é criar mais oportunidades”

2018 foi um ano de vitórias para Bruno Soares. Campeão do Masters 1000 de Cincinnati e dos ATP 500 de Washington e Acapulco, o mineiro também conseguiu bons resultados do lado de fora da quadra, no Conselho dos Jogadores da ATP. Membro desde 2014 e representando as duplas ao lado de seu parceiro Jamie Murray, Bruno busca por uma igualdade maior no circuito. Em entrevista ao Match Tie-Break, o atual número 7 do mundo contou os seus objetivos no lado político do tênis e as principais mudanças que acontecerão já em 2019.

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Foto: Getty Images Europa

A busca por igualdade de oportunidade entre os tops e os de ranking mais baixo é o foco do trabalho de Bruno Soares e Jamie Murray na diplomacia entre os jogadores e a ATP: “O nosso principal objetivo no Conselho é criar mais empregos e oportunidades, para que o pessoal consiga jogar os maiores torneios e com uma premiação melhor. Outro objetivo é deixar o ranking e o circuito de uma forma mais justa. O ranking é uma meritocracia, você tem que ganhar jogos para subir no ranking. Mas certas regrinhas como o bye para os principais cabeças de chave, por exemplo, dão uma vantagem muito grande para os tops, e o nosso objetivo é criar mais oportunidades, deixar tudo um pouco mais igual e mais justo.”

A principal mudança nas duplas masculinas aborda justamente a questão dos cabeças de chave e entrará em vigor já na temporada de 2019. Antes exclusividade de Indian Wells e Miami, agora todos os Masters 1000 passarão a ter uma chave de 32 times, acabando com o bye para as oito melhores duplas. “É uma grande oportunidade que eu e o Jamie estávamos buscando no Conselho há algum tempo. É muito bom conseguir quebrar essa barreira que existe entre o top 25 e a turma dos 25 ao 45 do mundo, que é uma parte do ranking que não tem a oportunidade de jogar esses eventos. O torneio fica mais justo sem os cabeças de chave. Aliás, na minha opinião, sempre achei que o pessoal que está no top 8, que já tem a possibilidade de jogar os Masters 1000 o ano inteiro e ainda sai de cabeça de chave, leva uma vantagem muito grande em cima do resto da turma.”

Outras pequenas mudanças também foram acrescentadas na entrada das duplas nos Masters 1000. Os 13 melhores times no ranking da temporada e que permaneceram juntos durante todo o período possuem a garantia de classificação nos cinco primeiros Masters 1000 do próximo ano, além de um bônus parecido acontecer também após Wimbledon, com as 13 melhores duplas que jogarem juntas em todas as semanas da temporada garantidas nos quatro últimos Masters do ano, sendo mais um modo de assegurar a continuação das parcerias em mais temporadas.

“Esse bônus foi mais uma das coisas que acrescentamos, mas, na minha opinião, a regra da chave de 32 praticamente vai anular isso aí, porque essa turma, com esse novo cenário, vai conseguir entrar direto. Fica mais como uma ‘super garantia’ para algum caso extraordinário, de alguém que fez muitos pontos numa parte específica da temporada e não jogou bem no resto. É mais um incentivo para que as duplas continuem juntas”, disse o mineiro. Um dos benefícios de uma maior continuidade nas principais parcerias é a conexão com o público, que poderá acompanhar e criar uma maior identificação com certos times.

Mas Bruno também destaca que é necessário ter um cuidado maior com o calendário e o ranking. Os pontos do ranking são formados pela somatória dos 18 melhores resultados do tenista no espaço de um ano. Porém, quando o jogador é aceito na chave de um Masters 1000 obrigatório (são oito no total, com Monte Carlo sendo exceção), os pontos conseguidos nos torneios deste nível entrarão obrigatoriamente na soma dos 18 melhores resultados, mesmo que o tenista tenha perdido na primeira rodada, zerando a semana.

“Acho que vai causar muito efeito na oportunidade que essa turma vai ter. Mas vale lembrar, e a gente tocou muito na tecla com o pessoal, o seguinte: esses torneios, em caso de derrota na primeira rodada, dão zero pontos no ranking e, muitas vezes por isso, você perde pontos de outros torneios jogados. No início, quando eu estava nesta mesma situação em que eles irão passar, tive 5 ou 6 zeros no meu ranking e isso afetava. Eu tinha que ter um cuidado para estruturar meu calendário de uma forma que não tomasse esses zeros, e aí tinha que avaliar se valia a pena jogar certos Masters 1000 ou esperar evoluir um pouco mais no ranking”, destacou Soares.

A implementação das chaves de 32 nos Masters 1000 é a maior mudança no circuito de duplas desde 2007, quando o formato atual de disputa de partidas foi introduzido na ATP. As alterações no formato, porém, poderiam ter acontecido de outra forma caso os duplistas da época, liderados por Bob e Mike Bryan, não tivessem se unido. A ATP havia proposto o fim da categoria de duplistas, deixando apenas que tenistas com ranking de simples disputassem as chaves de duplas. Outras mudanças incluíam um grande corte na duração das partidas, com o formato sugerido contando com ponto decisivo, tie-break no 4/4 e match tie-break no terceiro set. Foi necessário que Bob, Mike e mais de 40 duplistas movimentassem um processo contra a ATP para que a entidade desistisse da maioria de suas propostas. A circuito de duplas, porém, também precisou ceder, e o formato com ponto decisivo e match tie-break foi implementado.

A participação de duplistas em lideranças políticas na ATP vem sendo de grande importância desde então, e Bruno já sentiu o impacto positivo da novidade através de seus companheiros de circuito. “Fazer parte dessas mudanças é muito legal, teve um impacto muito bacana mesmo. A turma enxergou que nós (os tops) estávamos nos prejudicando, digamos assim, porque estamos saindo de uma condição segura, de ser cabeça de chave o ano inteiro e de estar diretamente na segunda rodada, com premiação garantida, para nos colocar no meio do bolo, saindo atrás com todo mundo, mas fazendo isso para um bem maior. Acho que o pessoal valorizou demais o nosso movimento e esforço muito em função disso, porque mostrou a nossa pegada, que é trabalhar para um bem maior, e não para o nosso interesse. Ver o que é melhor para o esporte, para o tênis e para a turma que estamos representando, que no nosso caso são os duplistas. Essa foi a primeira grande mudança que conseguimos executar nos últimos 5 anos diretamente para os duplistas, e acredito que terá um benefício muito grande para o circuito”, finalizou o mineiro, feliz com o trabalho e pronto para mais desafios.

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