Guia das Duplas – Wimbledon 2019

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Foto: Getty Images

Os campeões
Mike Bryan e Jack Sock são os atuais campeões de Wimbledon. Foi o primeiro Grand Slam que Mike disputou sem seu irmão Bob, que estava se recuperando de uma lesão no quadril, posteriormente operando a região. Agora, com Bob de volta, os Bryan vão em busca de seu primeiro título de Grand Slam em cinco anos. Os norte-americanos, cabeças de chave 7 da competição, estão na chave de Marcelo Melo e Lukasz Kubot, podendo enfrentá-los nas quartas de final. Em seu caminho, os gêmeos também têm os franceses Mahut/Roger-Vasselin numa possível oitava. Já Jack Sock continua sem disputar um torneio desde o Australian Open, com o norte-americano tendo sofrido uma ruptura de ligamento no dedo indicador da mão direita e passando por cirurgia para reparar.

Os brasileiros
[1]Marcelo Melo e Lukasz Kubot
O mineiro e o polonês são os principais favoritos do torneio, encabeçando a chave. Campeões na edição de 2017, a dupla terá um bom desafio logo na primeira rodada, enfrentando o complicado time de Ben McLachlan e Jan-Lennard Struff, dupla a qual já enfrentaram em outras três ocasiões, com Melo e Kubot saindo vitoriosos em duas vezes. Em seu caminho, também há os campeões de Roland Garros Krawietz/Mies nas oitavas, os irmãos Bryan ou Mahut/Roger-Vasselin nas quartas e um possível confronto com Bruno Soares e Mate Pavic na semi, sendo desafios em todas as rodadas.

“A gente vem jogando bem. Fizemos uma sequência muito boa na grama, foi uma boa preparação, e também estamos fazendo bons treinos, então a nossa expectativa é muito boa. Espero que dê tudo certo, temos uma primeira rodada duríssima, acho que a mais dura, pelo fato de eles serem uma dupla estabelecida sem o cabeceamento de chave, mas isso faz parte e a gente sempre tem que estar preparado desde a primeira rodada”, disse Melo, esperando um bom jogo de estreia.

A dupla pode somar muitos pontos no ranking, já que caiu na segunda rodada no ano passado. Por isso, há uma possibilidade de Kubot retornar à primeira posição com uma boa campanha em Wimbledon, visto que o atual campeão, o norte-americano Mike Bryan, tem muitos pontos a defender para se manter na liderança.

Projeção de Kubot/Melo
R1: McLachlan/Struff
R2: De Minaur/Reid ou Delbonis/Molteni
Oitavas: [13]Krawietz/Mies, Demoliner/Sharan
Quartas: [7]Bryan/Bryan, [11]Mahut/Roger-Vasselin
Semi: [4]Pavic/Soares, [6]Mektic/Skugor, [10]Murray/Skupski, [15]Inglot/Krajicek

[4]Bruno Soares e Mate Pavic
Será a estreia de Soares e Pavic em Grand Slams. O time, que disputou seu primeiro torneio em Queen’s, caindo nas quartas, teve mais tempo para treinar e ajustar o entrosamento. Em Londres, o brasileiro e o croata estrearão contra a potente dupla holandesa de Matwe Middelkoop e Sander Arends (aliás, prestem atenção na mecânica de saque de Arends quando acontecer a partida), com outras duplas que possuem a característica do jogo forte e extremamente agressivo também em seu caminho, como Inglot/Krajicek e Mektic/Skugor.

“A expectativa é sempre positiva. Sei que é um clichê, mas é a verdade. Acho que a gente tem um grande desafio, que é o entrosamento. Nós ainda estamos começando a parceria e só jogamos Queen’s. E, bem, não é fácil começar uma parceria na grama, porque o jogo é muito rápido, as coisas não acontecem muito e fica difícil coletar informações, mas o mais importante é que estamos super animados com a parceria. É o início de uma jornada, acho que toda mudança tem essa parte da empolgação, do novo. Nós treinamos muito bem nesta semana, jogamos com várias duplas boas. Acho que estamos jogando em um nível muito bom, mas obviamente treino é treino e jogo é jogo, então nós temos que colocar em prática. A grama é um piso que eu e o Mate jogamos muito bem, e a gente sabe que já temos experiência de ter chegado nos estágios finais desses torneios, então esperamos começar essa parceria já com um primeiro Slam, do mesmo jeito que eu e o Jamie (Murray) começamos”, declarou o mineiro, confiante na qualidade da dupla.

Projeção de Pavic/Soares
R1: Arends/Middelkoop
R2: Djere/Tipsarevic ou Gonzalez/Qureshi
Oitavas: [15]Inglot/Krajicek
Quartas: [6]Mektic/Skugor, [10]Murray/Skupski
Semi: [1]Kubot/Melo, [7]Bryan/Bryan, [11]Mahut/Roger-Vasselin, [13]Krawietz/Mies

Marcelo Demoliner e Divij Sharan
Com três vitórias e quatro derrotas na preparação para Wimbledon, Demoliner e Sharan jogaram muitas partidas antes da chegada em Londres. Apesar dos poucos triunfos, a dupla está entrosada e teoricamente tem a vantagem na estreia contra os alemães Krawietz/Mies, campeões de Roland Garros, pelo seu jogo mais rápido e adaptado à grama. Caso avancem, Demo e Sharan podem ter Kubot/Melo no seu caminho nas oitavas, tendo um grande desafio pela frente.

“Pegamos uma rodada meio casca grossa, né, mas não é nada impossível. Óbvio que não ganhamos muitos jogos na grama, mas… o jogo é jogado e o lambari é pescado. (risos) Acho que a gente consegue fazer um bom torneio se conseguirmos jogar numa intensidade alta. Claro que é difícil fazer isso em cinco sets, mas se tivermos um padrão e não oscilarmos muito, podemos conseguir um belo resultado. Krawietz e Mies são mais jogadores de quadra lenta, nós ganhamos deles em Munique, então sabemos como jogar contra e a grama facilita um pouco mais o nosso jogo. A pressão está toda em cima deles, estão vindo de um título de Grand Slam e também de derrota na estreia na grama, então eles estão bem mais pressionados”, disse Demoliner, que também revelou que será o último torneio da parceria com Sharan e que ainda não sabe qual será o seu próximo parceiro.

Projeção de Demoliner/Sharan
R1: [13]Krawietz/Mies
R2: Gille/Vliegen ou Duran/Londero
Oitavas: [1]Kubot/Melo
Quartas: [7]Bryan/Bryan, [11]Mahut/Roger-Vasselin
Semi: [4]Pavic/Soares, [6]Mektic/Skugor, [10]Murray/Skupski, [15]Inglot/Krajicek

O tal do critério de desempate
Em todos os torneios do circuito os cabeças de chave são definidos pela combinação dos rankings dos tenistas, saindo na frente quem tem o menor número. Em Wimbledon, por exemplo, Marcelo Melo e Lukasz Kubot são os cabeças 1 porque a soma do seu ranking é a mais baixa de todas, com Kubot sendo número 2 do mundo e Melo o quarto, dando 6 no total. Cabal e Farah, os cabeças dois da competição e números 5 do mundo, possuem um ranking combinado de 10, e assim por diante.

O critério de desempate adotado tanto pela ATP quanto pela ITF é o menor número de torneios jogados, e ele foi utilizado nesta chave de Wimbledon justamente na última vaga do cabeceamento. As duplas de Haase/Nielsen e McLachlan/Struff estão ambas com o ranking combinado de 74, mas Haase/Nielsen foram escolhidos para serem os cabeças 16 por terem disputado menos torneios juntos, deixando McLachlan/Struff soltos na chave. Não faz muito sentido premiar uma dupla com o cabeceamento de chave por ter jogado menos torneios juntos, praticamente punindo a dupla que está há mais tempo no circuito. Com tantas regras e incentivos surgindo nos últimos anos para que as duplas fiquem juntas por mais tempo, assim criando um vínculo com o público, o critério não me parece nada atrativo.

As mudanças
Algumas mudanças ocorreram nas duplas em Wimbledon. O fim do qualifying, fase classificatória que apenas o torneio inglês entre os Slams disponibilizava, foi uma delas. As quatro vagas de duplas que se classificavam através da competição foram transformadas em entradas diretas na chave.

O que também mudou foi a extinção do quinto set longo. Assim como nas outras chaves, haverá a disputa do tie-break quando a partida de duplas atingir 12/12. O recorde da partida de cinco sets mais longa em games disputados pertence aos brasileiros Marcelo Melo e André Sá, justamente em Wimbledon, em jogo contra Paul Hanley e Kevin Ullyett, com o placar terminando em 5/7, 7/6, 4/6, 7/6 e 28/26.

Olho neles
Os colombianos Juan Sebastian Cabal e Robert Farah não haviam conquistado um título na grama até a semana passada, quando foram campeões de Eastbourne. A dupla, que está no melhor ano de sua carreira, vem quebrando barreiras pessoais e estabelecendo novos limites, sendo os cabeças de chave 2 de Wimbledon, algo inédito para a dupla em um Grand Slam.

Quem também vem forte são os atuais vice-campeões Raven Klaasen e Michael Venus. Sempre ameaçadores com a combinação da velocidade do sul-africano com a força do neozelandês, Klaasen e Venus fizeram uma excelente preparação na grama, conquistando o título em Halle ao derrotar quatro cabeças de chave do Grand Slam inglês no caminho para a vitória.

A grama do vizinho nem sempre é mais verde
A alegria no jardim de Pierre-Hugues Herbert e Nicolas Mahut parece ter sido um pouco abalada. Herbert, que havia dito que não disputaria torneios de duplas após o Masters 1000 de Monte Carlo para focar em sua carreira de simples, retornando ao lado de Mahut apenas nos torneios preparatórios do US Open, já está em seu terceiro torneio na grama. Após campanhas em Den Bosch e Halle ao lado de Arneodo e Goffin, Herbert aceitou o convite de Andy Murray para disputar a chave de duplas de Wimbledon, deixando Mahut visivelmente chateado. O francês de 37 anos declarou que já expressou sua frustração com Herbert, uma vez que Mahut precisou buscar uma nova parceria para este período por duas vezes, causando algumas mudanças de outras duplas no circuito.

Os quarentões
Wimbledon conta com cinco tenistas acima dos 40 anos na chave de duplas. Além dos irmãos Bob e Mike Bryan, de 41 anos, o torneio britânico também tem Leander Paes, Robert Lindstedt e Jonathan Erlich. Paes e seus 46 anos disputam Wimbledon pela 24ª vez em sua carreira, sendo seu 93º Grand Slam, o maior número de participações no nível entre homens e mulheres. Já Erlich, de 42, acabou de ser campeão no ATP 250 de Antalya após passar toda a temporada disputando torneios do nível challenger. Lindstedt, que já foi vice-campeão de Wimbledon em três ocasiões, disputa seu 58º Grand Slam.

Os melhores jogos de primeira rodada
[1]Kubot/Melo x McLachlan/Struff
[3]Klaasen/Venus x Bambridge/O’Mara
[4]Pavic/Soares x Arends/Middelkoop
[8]Kontinen/Peers x Granollers/Granollers
[10]Murray/Skupski x Dodig/Polasek
[13]Krawietz/Mies x Demoliner/Sharan
Daniell/Koolhof x Bopanna/Cuevas

Onde assistir
Os direitos de transmissão de Wimbledon no Brasil pertencem ao Sportv, com os jogos ficando num único canal, o Sportv3. Para quem quiser assistir algo além da grade do canal, infelizmente não há nenhum modo oficial, sendo o mais seguro o do site de apostas Bet365. Verifique a chave completa de duplas masculinas, sinta o cheiro da grama cortada e venha curtir o terceiro Grand Slam do ano!

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