Espetacularização, herois e palcos

Com a crescente espetacularização das modalidades, outros segmentos além da prática em si chamam a atenção, como a gestão, o marketing e a administração das grandes ligas e associações, temas recentes e muito pesquisados no âmbito esportivo. O esporte, tratado como um fenômeno de massa, depende de figuras centrais, tidas como heróis, para que consiga despertar a atenção do público e, assim, permaneça no cenário mundial.

O tênis é uma das modalidades mais populares do mundo e que atrai milhões de espectadores e praticantes todos os anos com suas grandes estrelas, os tais herois que a literatura da psicologia esportiva aponta, disputando os principais campeonatos. Com torneios em todas as semanas do ano e em diferentes partes do mundo, tanto o público presente quanto o marketing e a venda de transmissões televisivas para as emissoras locais, internacionais e internet são essenciais para o crescimento do esporte.

O primeiro ponto a ser abordado é a promoção da imagem dos principais atletas através de campanhas, essencial para a venda do produto e figura pouco presente no mundo das duplas, dificultando o crescimento do interesse em um possível público. Um bom marketing busca certos aspectos atrativos do produto em questão para aumentar sua visibilidade e gerar identificação do público com os personagens principais, sendo o das duplas a dinamicidade do jogo e a maior prática entre os tenistas amadores.

Essa promoção aumentou com o passar do tempo, mas permanece até hoje focada no top 10 de simples, o que foi notado por Bruno Soares: “Eles promovem mais os jogadores no top 4, top 10, o resto fica muito pra trás. Obviamente tem que ter uma atenção maior no top 4, já que eles atraem e levam coisas boas pro esporte, mas eu acho que tem que ter uma promoção dos jogadores de menos destaque, que não tem um ranking alto mas estão no top 50, e o pessoal da dupla, pois compõem o circuito.”

Um maior conhecimento do público apagará a imagem distorcida que estes possuem do resto do circuito. O foco exagerado em Nadal e Federer, por exemplo, acaba direcionando a visão do esporte apenas para um seleto grupo de atletas, limitando ou até mesmo diminuindo o interesse do público em geral. É comum escutarmos que a qualidade de jogo fora do top 10 de simples e nas duplas é muito abaixo e que não é interessante ou não vale a pena prestar atenção, já que o parâmetro do público são as derrotas que os outros tenistas sofreram para os principais figurões.

Outro ponto importante e levantado por Marcelo Melo é a questão da organização dos torneios. Uma simples montagem de programação pode fazer uma grande diferença a longo prazo. “Eu acho que os torneios podem ajudar muito mais, especialmente na promoção das duplas‎. Algumas vezes o torneio tem duplas entre as 5 melhores do mundo e não promove para o público. Quando acontece a promoção das duplas, como no caso do torneio de Auckland, em que todos os dias tem uma dupla na quadra central, os jogos ficam cheios. O público gosta de assistir duplas, porém precisam organizar bem na hora de programar”, opinou o mineiro.

O caso de Auckland é interessante. A presença de um jogo de duplas todos os dias e no horário nobre virou tradição e atração no torneio, sendo abraçada pelo público local, que adquiriu a cultura de assistir as duplas. Esta cultura, aliás, mostra-se essencial, sendo ela já presente, como é visto nos Estados Unidos, ou sendo adquirida, como no Brasil, em que seus melhores resultados se apresentam nas duplas. Bruno comentou o caso: “A organização influencia sim, tem alguns lugares em que o público local gosta de duplas, como é o caso de Auckland, que coloca duplas no horário noturno, antes de simples, está sempre cheio. Nos EUA também, vai de cada lugar. Tem torneio que não gosta. O Finals também ficou bacana, com duplas seguido de simples em cada sessão, isso ajuda a ficar sempre cheio.”

Londres está sendo o maior exemplo disso. Adotando a mesma estratégia de Auckland, com a disposição da programação apresentando as duplas antes de simples, o último torneio do ano, disputado nesta semana, tornou-se um palco de promoção do esporte. O público geral do tênis, com acesso a todas as partidas de duplas na internet e na televisão, pareceu surpreso com a qualidade de jogo. Com a acessibilidade e o poder de escolha, o público mostrou-se curioso e interessado em acompanhar mais o circuito, uma vez que as partidas apresentaram uma maior agilidade e qualidade quando comparado com simples.
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A questão da transmissão continua de pé. A dinamicidade do jogo mudou e foi alterada com a implementação de encurtadores de partida, como o match tie-break e o ponto decisivo. Apesar da duração raramente passar de 1h20, o que beneficia os canais de televisão, a transmissão continua inexistente. Isso, é claro, envolve uma parte burocrática nos bastidores, já que as transmissões televisivas e online foram terceirizadas pela ATP, sendo de posse de uma empresa independente.

Mas, como aponta Bruno Soares, o problema também assombra o resto do circuito: “Se você parar pra pensar, o único local que tem cobertura mesmo é a quadra central. É a única quadra que, em todos os torneios, você vai ter certeza que terá transmissão.” Todos são afetados diretamente com a falta de atenção para as quadras secundárias. Sem a cobertura necessária, tenistas como Thomaz Bellucci podem ser mal vistos. “No fim do ano, a pessoa que vê esses caras do nível do Thomaz e do Nieminen perdendo acaba pensa algo que não é verdade. Ela vai e pensa ‘pô, sempre me dizem que o Thomaz e o Nieminen são grandes jogadores, mas eles só perdem’. Aí nos outros 50 jogos do ano em que o cara joga bem ninguém transmitiu e ninguém está sabendo”, completa o mineiro.

Câmeras em todas as quadras resolveria boa parte do ponto apresentado acima. Apesar da maioria dos torneios possuírem três ou quatro quadras, o que é pouco e aparentemente fácil de resolver, contratos, altos cargos e os demais problemas legais mais uma vez aterrorizam o circuito.

Enquanto os tenistas, o conselho e os fãs tentam remar contra a maré, a papelada continua impedindo o progresso no âmbito internacional, mas com pequenas brechas como as que acontecem no Finals, as duplas sobem no maior palco do tênis e aproveitam cada minuto de seu show, reconstruindo sua história e atraindo novos aliados.

Bruno e Peya vencem em Londres

Bruno Soares e Alexander Peya estrearam com vitória em Londres. O brasileiro e o austríaco derrotaram a dupla formada pelo holandês Jean-Julien Rojer e o romeno Horia Tecau em 2 sets a 1, com parciais de 6/3 e 6/4.

Bruno e Peya começaram bem no primeiro set, anulando os pontos de Rojer e Tecau no segundo saque e forçando o erro dos adversários. Já no segundo set, Rojer e Tecau voltaram ao jogo após conquistarem o ponto mais longo da partida, com o romeno melhorando sua performance.

O match tie-break contou com a abertura de uma larga vantagem pelo brasileiro e o austríaco em 5-1, que foi rapidamente alcançada por Rojer/Tecau, marcando 5-6. Ambas as duplas confirmaram seus saques seguintes e, numa fantástica devolução de Bruno, Rojer teve seu serviço quebrado, dando a vitória para Peya e Soares.

“Estou muito feliz com essa vitória, é muito importante começar assim. As últimas semanas não foram tão boas e iniciar com vitória em um torneio neste formato, contra uma dupla que teve um ano fantástico, é muito importante”, declarou o mineiro.

Para Bruno, a vitória foi crucial: “Estamos em um grupo muito complicado com os irmãos Bryan, líderes do ranking. Os outros jogos ganham um peso maior em cima disso. Fizemos uma boa partida e o segundo jogo tende a melhorar. Nossa ideia é vencer mais uma partida para ter um respiro dentro do grupo.”

O grupo A contou com a derrota dos irmãos Bryan para o polonês Lukasz Kubot e o sueco Robert Lindstedt em 2 sets a 0, com parciais de 7/6 e 6/3. Kubot e Lindstedt são os líderes do grupo, seguidos de Bruno e Peya.

Finals é sorteado e mineiros caem em grupos diferentes

O ATP Finals, torneio que reúne as oito melhores equipes da temporada em Londres, na Inglaterra, teve seus grupos sorteados na tarde desta segunda-feira. 

O brasileiro Bruno Soares e seu parceiro, o austríaco Alexander Peya, estão no grupo A, que também conta com os irmãos Bryan, o holandês Jean-Julien Rojer e o romeno Horia Tecau, e o polonês Lukasz Kubot e o sueco Robert Lindstedt. Já Marcelo Melo e Ivan Dodig estão no grupo B, junto ao canadense Daniel Nestor e o sérvio Nenad Zimonjic, os franceses Julien Benneteau e Edouard Roger-Vasselin, e os espanhois Marcel Granollers e Marc Lopez.

O torneio terá início no domingo com dois jogos de simples e dois jogos de duplas por dia e transmissão do Sportv.

Confronto direto:
Grupo A
Bryan/Bryan x Peya/Soares 7-1
Bryan/Bryan x Rojer/Tecau 3-0
Bryan/Bryan x Kubot/Lindstedt 2-0
Peya/Soares x Rojer/Tecau 1-1
Peya/Soares x Kubot/Lindstedt 0-0
Rojer/Tecau x Kubot/Lindstedt 1-0

Grupo B
Nestor/Zimonjic x Benneteau/Roger-Vasselin 2-1
Nestor/Zimonjic x Granollers/Lopez 1-0
Nestor/Zimonjic x Dodig/Melo 1-0
Benneteau/Roger-Vasselin x Granollers/Lopez 2-0
Benneteau/Roger-Vasselin x Dodig/Melo 0-0
Granollers/Lopez x Dodig/Melo 1-2

Liga asiática idealizada por Bhupathi anuncia os técnicos da primeira edição

A IPTL (International Premier Tennis League) anunciou os técnicos dos quatros times que disputarão a primeira edição do torneio realizado na Ásia, entre os dias 28 de Novembro e 13 de Dezembro.

O francês Fabrice Santoro e o filipino Treat Huey serão os jogadores-técnicos de seus times, Indian Aces e Manila Mavericks, enquanto os renomados técnicos Josh Eagle (Nicholas Kyrgios) e David Macpherson (irmãos Bryan) liderarão o Singapore Slammers, time de Bruno Soares, e o UAE Royals, respectivamente.

O evento foi idealizado pelo indiano Mahesh Bhupathi e contará com a presença de 21 campeões de Grand Slam em Manila, Nova Déli, Cingapura e Dubai.

Sobre o Finals

Estamos na última semana do calendário da ATP e prestes a conhecer os oito classificados para o ATP Finals. Com as crescentes perguntas de como funciona a classificação e da situação de cada uma das duplas, preparei um FAQ para vocês.

Ranking de 26 de Outubro.

Ranking de 26 de Outubro.

1) Por que Pospisil/Sock e Kubot/Lindstedt têm vantagem e se classificarão no lugar de Butorac/Klaasen mesmo estando em 8?

O Finals possui uma regra que classifica automaticamente um campeão de slam que está fora do top 8 da temporada, restando assim as 7 primeiras vagas. Este ano temos dois times que se encaixam nesta situação: Pospisil/Sock e Kubot/Lindstedt. Com um se classificando automaticamente, o outro time irá para o Finals como alternate, entrando na competição se um dos oito times desistirem.

Pospisil/Sock estão com 40 pontos na frente de Kubot/Lindstedt. Para garantir sua classificação, Pospisil/Sock precisam apenas igualar o resultado de Kubot/Lindstedt em Paris, com exceção de derrota na segunda rodada, uma vez que Pospisil/Sock são cabeças de chave e uma derrota na segunda rodada não somaria pontos, enquanto para Kubot/Lindstedt uma derrota na segunda rodada traria 90 pontos, passando na frente de seus adversários. Kubot/Lindstedt precisam ganhar uma rodada a mais que Pospisil/Sock. As únicas possibilidades de classificação para ambos é se um dos times conquistar o título ou chegar na final com Dodig/Melo perdendo na estreia.

2) O que Butorac/Klaasen precisam, então?

Butorac/Klaasen precisam ganhar o título ou fazer final com Dodig/Melo não chegando na semifinal.

3) E Dodig/Melo? 

  • Sem depender dos outros, o título
  • Se forem eliminados na estreia, Butorac/Klaasen, Pospisil/Sock e Kubot/Lindstedt não podem fazer final e Cabal/Farah não podem ser campeões
  • Se chegarem nas quartas, Butorac/Klaasen não podem fazer final e Pospisil/Sock, Kubot/Lindstedt e Cabal/Farah não podem ser campeões
  • Se chegarem na semi, Butorac/Klaasen, Pospisil/Sock e Kubot/Lindstedt não podem ser campeões
  • Se chegarem na final, apenas Butorac/Klaasen podem alcançá-los (sendo campeões)

4) E quanto aos outros?

Rojer/Tecau e Granollers/Lopez se classificarão se fizerem quartas de final, independente de outros resultados. Para chegar nas quartas, Rojer/Tecau podem se encontrar com Kubot/Lindstedt e Granollers/Lopez com Cabal/Farah, assim podendo determinar o futuro dos quatro times na mesma rodada. Os colombianos, aliás, precisam ser campeões de Paris com Dodig/Melo caindo na estreia ou quartas de final para terem a chance de classificação, sendo a mais difícil das possibilidades entre os times.

5) Putz, me perdi. Tem resumão?

Veja os quadros abaixo.

rojer tecau

granollopez

dodig melo

booty klaasen

pospisock

kubot robert

colombian

Curiosidade:
Não teremos um indiano se classificando para o Finals este ano. A última vez que isto aconteceu foi em 1996.

Sá vence na estreia e tem Soares como possível adversário

André Sá, terceiro melhor duplista do país e 61º do ranking da ATP, estreou com vitória na tarde desta terça-feira no ATP de Viena, na Áustria.

O mineiro e seu parceiro, o croata Mate Pavic, superaram os alemães Benjamin Becker e Jan-Lennard Struff por 2 sets a 1, com parciais de 6/7(4), 6/4 e 10-8. “Foi bem duro o jogo, mas atuamos bem desde o começo. Estreia é sempre complicada, mas aguentamos bem a pressão”, disse Sá que, ao lado do croata, fez oitavas de final em Roland Garros e Wimbledon.

Na próxima rodada, Sá e Pavic enfrentarão os vencedores do duelo entre a dupla do brasileiro Bruno Soares e do austríaco Alexander Peya e a dupla campeã de Grand Slam do também austríaco Jurgen Melzer e o alemão Philipp Petzschner, que acontecerá nesta quarta-feira, por volta das 15h, horário de Brasília.

Peya/Soares e Dodig/Melo concorrem ao prêmio de dupla favorita dos fãs

A tradicional votação de fim de ano da ATP chegou e os fãs podem fazer parte apoiando seus tenistas favoritos até o dia 3 de Novembro. Os brasileiros Bruno Soares e Marcelo Melo estão concorrendo ao lado de seus parceiros Alexander Peya e Ivan Dodig como ‘dupla favorita’ mais uma vez, categoria existe há nove anos e que tem como seus únicos vencedores os americanos Bob e Mike Bryan.

Para votar, clique na imagem abaixo para ser redirecionado para o site. A seguir, escolha seu tenista de simples e sua dupla favorita, preencha o campo do e-mail e envie. Apenas um voto por e-mail é computado, sendo necessário outro endereço para votar novamente.

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Bruno Soares se classifica antecipadamente para o ATP Finals

O Masters 1000 de Xangai, na China, mal atingiu sua terceira rodada e o brasileiro Bruno Soares já pode comemorar por antecipação: a vitória na segunda rodada contra o norte-americano Eric Butorac e o sul-africano Raven Klaasen garantiu Bruno e seu parceiro, Alexander Peya, no ATP Finals, o torneio final de 2014 que reúne as oito melhores equipes do ano.

O tenista mineiro recebeu a informação logo após a partida desta terça-feira, vencida por 2 sets a 0, do representante da ATP responsável pelos rankings. “Somamos mais 180 pontos com esta vitória e o membro da ATP, que cuida desta parte, afirmou que nos classificamos matematicamente”, destaca Bruno, que junto a Peya ocupa o terceiro lugar no ranking de duplas.

“Chegar ao Finals é o grande objetivo do ano e pra gente é bom classificar com essa antecedência. Fica fora essa disputa no fim do ano que desgasta. E agora podemos nos preparar da melhor forma possível para Londres. Isso dá uma tranquilidade para a gente ir jogando nosso melhor”, comenta Bruno, que venceu neste ano o Masters 1000 de Toronto e também o US Open nas duplas mistas, entre outros feitos.

“Estou muito feliz de estar presente mais uma vez nesse grande evento. Melhor evento do ano. Você não pode escolher ninguém e tem que classificar. Me sinto honrado e vamos partir para cima”, completa Soares. O ATP Finals acontece entre os dias 9 e 16 de novembro na O2 Arena, em Londres.

Retrospectiva 2013: Bruno Soares

A temporada acabou e nada melhor do que resumir a brilhante campanha dos cinco brasileiros que terminaram no top 100 de duplas. Começarei por Bruno Soares e os outros serão abordados em futuros posts. Espero que curtam!

Bruno Soares

Alexander Peya e Bruno Soares em Montreal, Canadá. (Foto: Matthew Stockman/Getty Images)

Alexander Peya e Bruno Soares em Montreal, Canadá. (Foto: Matthew Stockman/Getty Images)

Ranking: 3
Títulos: 6
Finais: 11 (5 vices)
Partidas disputadas: 81
Vitória/Derrota: 61/20
Premiação: $838,956
Pontos acumulados no ano: 8040
Times que mais foram vencidos: 3 vitórias – Granollers/Lopez, Murray/Peers, Dodig/Melo, Fyrstenberg/Matkowski
Times que mais causaram derrotas: Bryan/Bryan – 6 derrotas, 2 vitórias; Paes/Stepanek – 2 derrotas, 0 vitórias; Marrero/Verdasco – 2 derrotas, 2 vitórias
Times enfrentados durante o ano: 55

Vitórias:
36 em 2 sets
22 em 3 sets
1 em 4 sets
2 em 5 sets

Derrotas:
9 em 2 sets
10 em 3 sets
1 em 4 sets

Desempenho em 2013
*Os pontos do mês entre parênteses pertencem ao mês equivalente no ano de 2012, apenas para efeito de comparação

Janeiro – ranking: 19º
07/01: Auckland – campeão (com Colin Fleming), derrotando Brunström/Nielsen
14/01: Australian Open – segunda rodada, derrota para Bellucci/Paire
Pontos do mês: 340. (495 em 4 torneios em 2012)
Vitória/Derrota: 5/1

Fevereiro – ranking: 19º
01/02: Copa Davis – vitória, derrotando Bob e Mike Bryan
11/02: São Paulo – campeão, derrotando Cermak/Mertinak
18/02: Memphis – semifinal, derrota para Bryan/Bryan
25/02: Acapulco – semifinal, derrota para Bolelli/Fognini
Pontos do mês: 660. (250 em 3 torneios em 2012)
Vitória/Derrota: 9/2

Março – ranking: 16º
07/03: Indian Wells – semifinal, derrota para Huey/Janowicz
20/03: Miami – primeira rodada, derrota para Marrero/Verdasco
Pontos do mês: 360. (0 em 2 torneios em 2012)
Vitória/Derrota: 3/2

Abril – ranking: 15º
14/04: Monte Carlo – primeira rodada, derrota para Benneteau/Zimonjic
22/04: Barcelona – campeão, derrotando Lindstedt/Nestor
29/04: Munique – quartas de final, derrota para Nieminen/Tursunov
Pontos do mês: 545. (90 em 5 torneios em 2012)
Vitória/Derrota: 5/2

Maio – ranking: 14º
05/05: Madri – final, derrota para Bryan/Bryan
12/05: Roma – segunda rodada, derrota para Marrero/Verdasco
27/05: Roland Garros – semifinal, derrota para Bryan/Bryan
Pontos do mês: 1320. (180 em 2 torneios em 2012)
Vitória/Derrota: 7/3

Junho – ranking: 6º
10/06: Queen’s – final, derrota para Bryan/Bryan
17/06: Eastbourne – campeão, derrotando Fleming/Marray
24/06: Wimbledon – terceira rodada, derrota para Bopanna/Roger-Vasselin
Pontos do mês: 580. (90 em 1 torneio em 2012)
Vitória/Derrota: 9/2

Julho – ranking: 8º
15/07: Hamburgo – final, derrota para Fyrstenberg/Matkowski
29/07: Washington – primeira rodada, derrota para Begemann/Bopanna
Pontos do mês: 300. (150 em 3 torneios em 2012)
Vitória/Derrota: 2/2

Agosto – ranking: 8º
05/08: Montreal – campeão, derrotando Fleming/Murray
11/08: Cincinnati – quartas de final, derrota para Gonzalez/Lipsky
26/08: US Open – final, derrota para Paes/Stepanek
Pontos do mês: 2380. (450 em 3 torneios em 2012)
Vitória/Derrota: 10/2

Setembro – ranking: 4º
13/09: Copa Davis – vitória, derrotando Brands/Emmrich
Pontos do mês: 10. (260 em 2 torneios em 2012)
Vitória/Derrota: 1/0

Outubro – ranking: 3º
14/10: Viena – quartas de final, derrota para Mergea/Rosol
21/10: Valencia – campeão, derrotando Bryan/Bryan
28/10: Paris – final, derrota para Bryan/Bryan
Pontos do mês: 1145. (1430 em 5 torneios em 2012)
Vitória/Derrota: 8/2

Novembro – ranking: 3º
04/11: ATP World Tour Finals – semifinal, derrota para Bryan/Bryan
Pontos do mês: 400. (0 em 0 torneios em 2012)
Vitória/Derrota: 2/2

2013, dois mineiros e o Finals

2013 foi um ano atípico para as duplas. Sim, atípico, pelos muitos motivos que citarei ao decorrer deste post.

Mike Bryan levantou uma importante questão em uma entrevista para o USA Today. Quando os gêmeos se aposentarem, quem levantará a bandeira das duplas? Daniel Nestor, Max Mirnyi, Leander Paes e Mahesh Bhupathi, por exemplo, provavelmente estarão aposentados também, até lá. O último, inclusive, aposentará no próximo ano. 

Os irmãos Bryan mostraram uma clara dominância nas duplas este ano. Não que não estivesse claro nos outros anos, mas em 2013 foi bem, bem maior. Foi o melhor ano da carreira do time, no qual bateram vários recordes que  achávamos impossíveis de serem batidos. Com um ano tão incrível assim, o destaque na mídia foi tão incrível quanto, certo? Errado. As duplas continuaram apagadas pelas mídias de todo o mundo, inclusive nos Estados Unidos. Se nem com todos esses feitos da dupla mais bem sucedida de todos os tempos alguém prestou atenção, imagina sem eles?

Bob+Bryan+Barclays+ATP+World+Tour+Finals+Day+dxTmDMOTzugx

Pudemos sentir um pouquinho na pele de como seria sem as grandes estrelas das duplas em 2000/2002. A parceria de Todd Woodbridge e Mark Woodforde acabou em 2000, com a aposentadoria de Woodforde. Woodbridge continuou até 2005, mas a magia dos Woodies havia acabado. Neste exato período de 2000 até 2002, as duplas sofreram uma séria queda de status. Em 2002, a Masters Cup das duplas, o equivalente ao atual ATP Finals, não aconteceu por falta de público. Foi em 2002 também que os irmãos Bryan realmente apareceram para o mundo, mas foram se tornar os números 1 e o grande fenômeno que são hoje em meados de 2005. E foi neste mesmo ano de 2005, aliás, que a ATP implementou a mudança de regras nas duplas, utilizando o match tie-break e o ponto decisivo, com o objetivo de ter mais jogos de duplas na tv e mais simplistas jogando duplas, já que o tempo das partidas diminuíram.

Uma coisa é muito clara e eu já disse muito por aqui: o esporte é feito de estrelas e essas estrelas são tratadas como astros do rock. Sempre em comerciais, anúncios, nas chamadas das partidas, a atração principal… Com os Bryan ou com qualquer outro duplista não é assim. As transmissões estão ficando escassas conforme o tempo passa, e o engraçado é que as mudanças no jogo de duplas, como a extinção do terceiro set e a inclusão dos games no-ad em que citei acima, foram implantadas justamente para aumentar o número de transmissões, de partidas jogadas nas quadras centrais e, assim, o interesse do público. Só que esse interesse não aumentou e a impressão que tenho é que a ATP desistiu de promover as duplas. Imaginem quando os Bryan, Mirnyi, Nestor e tantos outros pendurarem as suas raquetes, então.

Não sei se já notaram, mas as finais de duplas estão sendo agendadas para horários não muito interessantes para um possível público novo. Muito antes da final de simples ou até mesmo na quadra secundária. Claro, isso para as finais, porque as partidas de outras rodadas estão nas últimas e mais longínquas quadras.

E a bola de neve do desastre só aumenta. A Grã-Bretanha anunciou no último dia 8 que os duplistas não receberão mais o apoio financeiro que antes recebiam. Um tanto quanto irônico, já que são um dos maiores formadores de duplistas da atualidade, sendo 6 no top 100. Tirando Andy Murray, todo o sucesso do tênis britânico depende de caras como Jamie Murray, Colin Fleming e Dominic Inglot, todos no top 30. É extremamente triste esse rumo que as duplas estão tomando. O futuro é incerto e um tanto quanto assustador.

Trocando para um assunto mais feliz, a temporada de Bruno Soares e Marcelo Melo acabou, mesmo que com um final nem tão feliz assim. Não atingiram a final do ATP Finals, mas terminaram como primeiros de seus grupos. E bem, estavam lá no Finals! A eliminação de ambos doeu, mas o orgulho permaneceu. Bruno, neste ano, conquistou seis títulos, fez final em dois grand slams, 16 semifinais, atingiu o melhor ranking da carreira e terminou como a segundo melhor dupla da temporada ao lado de Alexander Peya , enquanto Marcelo levantou dois canecos, fez final em Wimbledon, atingiu o melhor ranking na carreira (5º do mundo) e junto a Ivan Dodig, formaram a terceira melhor dupla de 2013. Com tudo isso, o interesse nas duplas aqui no Brasil cresceu bastante, mesmo com a escassez de transmissões em torneios (com exceção dos grand slams). Eu não disse que tinha algo bem feliz em tudo isso?

Bruno+Soares+Barclays+ATP+World+Tour+Finals+hRHnDTe-_afx

Marcelo+Melo+Barclays+ATP+World+Tour+Finals+zXSozN2hJl8x

Sobre os outros no Finals, o torneio foi um repeteco do ano passado: uma dupla espanhola campeã, mesmo com uma temporada não tão forte. David Marrero e Fernando Verdasco conquistaram apenas o segundo título da temporada com o Finals. O outro? O 250 de São Petersburgo. Que os espanhois foram impecáveis no Finals, isso eu não posso negar. Fizeram um torneio muito sólido e tiveram apenas uma derrota, essa para Peya/Soares. Mas a sensação de ‘tá, no Finals foi bom, mas não mereceram pelo o que fizeram no resto do ano’ ainda fica. 

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Leander Paes e Radek Stepanek decepcionaram, mas foi o esperado, já que não jogavam juntos desde o título no US Open. Aisam-ul-Haq Qureshi e Jean-Julien Rojer encerraram os dois anos de parceria com outra campanha ruim no Finals. Assim como no ano passado, perderam todas as três partidas da fase de grupos, o que deixa um gosto amargo no fim da parceria. Já Mariusz Fyrstenberg e Marcin Matkowski impressionaram, apesar das duas derrotas. Fizeram um primeiro jogo muito bom e levaram para o match tie-break as outras duas. Com a classificação dias antes do Finals começar, a impressão que passavam é que seriam a dupla mais fácil do grupo, o que provou o contrário, já que a disputa pela segunda vaga do grupo foi direta na última partida contra os Bryan. E por fim, Marcel Granollers e Marc Lopez não conseguiram manter o forte ritmo que apresentaram no Finals do ano passado, perdendo duas partidas e não impressionando, assim como foi o ano de 2013 deles.

Durante este brilhante 2013, escrevi algumas coisas aqui no blog que talvez interessem vocês:
Mais do que motivos – a história de Ivan Dodig
10 motivos para gostar de Marcelo Melo
Sobre Paes, Bhupathi, Bopanna e Mirza
#brasilnasduplas – O que acontece no Brasil e no mundo quando se trata de duplas?
10 motivos para gostar de Alexander Peya