2013, dois mineiros e o Finals

2013 foi um ano atípico para as duplas. Sim, atípico, pelos muitos motivos que citarei ao decorrer deste post.

Mike Bryan levantou uma importante questão em uma entrevista para o USA Today. Quando os gêmeos se aposentarem, quem levantará a bandeira das duplas? Daniel Nestor, Max Mirnyi, Leander Paes e Mahesh Bhupathi, por exemplo, provavelmente estarão aposentados também, até lá. O último, inclusive, aposentará no próximo ano. 

Os irmãos Bryan mostraram uma clara dominância nas duplas este ano. Não que não estivesse claro nos outros anos, mas em 2013 foi bem, bem maior. Foi o melhor ano da carreira do time, no qual bateram vários recordes que  achávamos impossíveis de serem batidos. Com um ano tão incrível assim, o destaque na mídia foi tão incrível quanto, certo? Errado. As duplas continuaram apagadas pelas mídias de todo o mundo, inclusive nos Estados Unidos. Se nem com todos esses feitos da dupla mais bem sucedida de todos os tempos alguém prestou atenção, imagina sem eles?

Bob+Bryan+Barclays+ATP+World+Tour+Finals+Day+dxTmDMOTzugx

Pudemos sentir um pouquinho na pele de como seria sem as grandes estrelas das duplas em 2000/2002. A parceria de Todd Woodbridge e Mark Woodforde acabou em 2000, com a aposentadoria de Woodforde. Woodbridge continuou até 2005, mas a magia dos Woodies havia acabado. Neste exato período de 2000 até 2002, as duplas sofreram uma séria queda de status. Em 2002, a Masters Cup das duplas, o equivalente ao atual ATP Finals, não aconteceu por falta de público. Foi em 2002 também que os irmãos Bryan realmente apareceram para o mundo, mas foram se tornar os números 1 e o grande fenômeno que são hoje em meados de 2005. E foi neste mesmo ano de 2005, aliás, que a ATP implementou a mudança de regras nas duplas, utilizando o match tie-break e o ponto decisivo, com o objetivo de ter mais jogos de duplas na tv e mais simplistas jogando duplas, já que o tempo das partidas diminuíram.

Uma coisa é muito clara e eu já disse muito por aqui: o esporte é feito de estrelas e essas estrelas são tratadas como astros do rock. Sempre em comerciais, anúncios, nas chamadas das partidas, a atração principal… Com os Bryan ou com qualquer outro duplista não é assim. As transmissões estão ficando escassas conforme o tempo passa, e o engraçado é que as mudanças no jogo de duplas, como a extinção do terceiro set e a inclusão dos games no-ad em que citei acima, foram implantadas justamente para aumentar o número de transmissões, de partidas jogadas nas quadras centrais e, assim, o interesse do público. Só que esse interesse não aumentou e a impressão que tenho é que a ATP desistiu de promover as duplas. Imaginem quando os Bryan, Mirnyi, Nestor e tantos outros pendurarem as suas raquetes, então.

Não sei se já notaram, mas as finais de duplas estão sendo agendadas para horários não muito interessantes para um possível público novo. Muito antes da final de simples ou até mesmo na quadra secundária. Claro, isso para as finais, porque as partidas de outras rodadas estão nas últimas e mais longínquas quadras.

E a bola de neve do desastre só aumenta. A Grã-Bretanha anunciou no último dia 8 que os duplistas não receberão mais o apoio financeiro que antes recebiam. Um tanto quanto irônico, já que são um dos maiores formadores de duplistas da atualidade, sendo 6 no top 100. Tirando Andy Murray, todo o sucesso do tênis britânico depende de caras como Jamie Murray, Colin Fleming e Dominic Inglot, todos no top 30. É extremamente triste esse rumo que as duplas estão tomando. O futuro é incerto e um tanto quanto assustador.

Trocando para um assunto mais feliz, a temporada de Bruno Soares e Marcelo Melo acabou, mesmo que com um final nem tão feliz assim. Não atingiram a final do ATP Finals, mas terminaram como primeiros de seus grupos. E bem, estavam lá no Finals! A eliminação de ambos doeu, mas o orgulho permaneceu. Bruno, neste ano, conquistou seis títulos, fez final em dois grand slams, 16 semifinais, atingiu o melhor ranking da carreira e terminou como a segundo melhor dupla da temporada ao lado de Alexander Peya , enquanto Marcelo levantou dois canecos, fez final em Wimbledon, atingiu o melhor ranking na carreira (5º do mundo) e junto a Ivan Dodig, formaram a terceira melhor dupla de 2013. Com tudo isso, o interesse nas duplas aqui no Brasil cresceu bastante, mesmo com a escassez de transmissões em torneios (com exceção dos grand slams). Eu não disse que tinha algo bem feliz em tudo isso?

Bruno+Soares+Barclays+ATP+World+Tour+Finals+hRHnDTe-_afx

Marcelo+Melo+Barclays+ATP+World+Tour+Finals+zXSozN2hJl8x

Sobre os outros no Finals, o torneio foi um repeteco do ano passado: uma dupla espanhola campeã, mesmo com uma temporada não tão forte. David Marrero e Fernando Verdasco conquistaram apenas o segundo título da temporada com o Finals. O outro? O 250 de São Petersburgo. Que os espanhois foram impecáveis no Finals, isso eu não posso negar. Fizeram um torneio muito sólido e tiveram apenas uma derrota, essa para Peya/Soares. Mas a sensação de ‘tá, no Finals foi bom, mas não mereceram pelo o que fizeram no resto do ano’ ainda fica. 

David+Marrero+Barclays+ATP+World+Tour+Finals+4t3MKbQ_Zn6x

Leander Paes e Radek Stepanek decepcionaram, mas foi o esperado, já que não jogavam juntos desde o título no US Open. Aisam-ul-Haq Qureshi e Jean-Julien Rojer encerraram os dois anos de parceria com outra campanha ruim no Finals. Assim como no ano passado, perderam todas as três partidas da fase de grupos, o que deixa um gosto amargo no fim da parceria. Já Mariusz Fyrstenberg e Marcin Matkowski impressionaram, apesar das duas derrotas. Fizeram um primeiro jogo muito bom e levaram para o match tie-break as outras duas. Com a classificação dias antes do Finals começar, a impressão que passavam é que seriam a dupla mais fácil do grupo, o que provou o contrário, já que a disputa pela segunda vaga do grupo foi direta na última partida contra os Bryan. E por fim, Marcel Granollers e Marc Lopez não conseguiram manter o forte ritmo que apresentaram no Finals do ano passado, perdendo duas partidas e não impressionando, assim como foi o ano de 2013 deles.

Durante este brilhante 2013, escrevi algumas coisas aqui no blog que talvez interessem vocês:
Mais do que motivos – a história de Ivan Dodig
10 motivos para gostar de Marcelo Melo
Sobre Paes, Bhupathi, Bopanna e Mirza
#brasilnasduplas – O que acontece no Brasil e no mundo quando se trata de duplas?
10 motivos para gostar de Alexander Peya

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Jonas Björkman voltará às quadras após 5 anos

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Ex número 1 nas duplas, Jonas Björkman voltará às quadras no torneio de Estocolmo ao lado de Robert Lindstedt. Jonas foi o último sueco a ganhar um título de duplas no torneio, junto a Kevin Ullyett em 2008.

Dono de 8 títulos em Grand Slam, o objetivo do veterano é chegar em sua 97ª final de duplas. “Nós dois somos muito competitivos, não tenha dúvidas que tentaremos ganhar esse título. Ganhar é tudo.”

“Eu e Robert somos grandes amigos e ele acabou ficando sem parceiro depois do US Open. Então olhou para seu calendário e percebeu que não tinha parceiro para jogar Estocolmo. Ele me perguntou se eu poderia jogar, pois sabia que eu estaria jogando mais tênis esse ano.”

“Não é um retorno total, só acontecerá aqui em Estocolmo. Estou treinando bastante desde que ele me convidou, todos os dias, dentro e fora das quadras. Mas eu tenho um ótimo parceiro, que é um dos melhores duplistas do mundo, e espero que ele me carregue nas costas.”

Efeito #brasilnasduplas

O Brasil mais uma vez colocou um tenista na final de grand slam. Bruno Soares mais uma vez colocou o nome do Brasil no mapa do tênis. Marcelo Melo mais uma vez fez uma campanha brilhante. Soa repetitivo, é repetitivo, mas dessa repetição a gente gosta.

O caminho de Bruno Soares e Alexander Peya para a final não foi fácil. Precisaram enfrentar os não-cabeças-de-chave mais chatos de pegar (Blake/Sock e Cuevas/Zeballos), os amigos (Dodig/Melo) e os caras que bateram os Bryan (Paes/Stepanek). Se eu tivesse LEANDER PAES do outro lado da rede e soubesse que ele, junto com Stepanek, tirou os Bryan de um grand slam na MELHOR FASE DA VIDA DELES, eu choraria em posição fetal por dias. Graças a Deus eu não sou Bruno Soares ou Alexander Peya.

É claro, as coisas deram errado na final. Alexander Peya machucou as costas na semifinal contra Dodig/Melo, após levar um lob de Marcelo Melo. Recebeu injeção para tentar amenizar a dor, mas não foi possível. Com esse peso nas costas, a final não fluiu. Bruno, como bem disse para o Sportv, aproveitou o momento. Foi sua primeira final de slam e já sabiam que o Alex estava machucado, pra que ficar tentando achar culpado? Não foi a estreia em final de grand slam perfeita, mas eu tenho certeza que muitas outras virão, só que com um final feliz.

Bruno+Soares+2013+Open+Day+14+DNzV0wlDpyrx

Essa foi a 12ª final de Peya/Soares, sendo a oitava da temporada. O calendário da dupla nas próximas semanas, se Peya recuperar, é Pequim (30/09), Shanghai (06/10), Viena (14/10), Valência (21/10), Paris (28/10) e Finals (04/11). Bruno declarou que se Alex não melhorar a tempo, jogará com outros parceiros para que pelo menos um da dupla continue jogando e, assim, não perca o ritmo.

Independente de tudo isso, o efeito que esse sucesso está fazendo é fantástico. Sabe quantos jogos de duplas deste US Open foram transmitidos aqui no Brasil? MAIS DE 17 JOGOS. Sim, 17, já pode recolher o queixo do chão. Só no US Open tivemos mais jogos transmitidos do que no ano de 2012 interinho. E nem precisava ser dos brasileiros. Vimos duplas mistas, duplas femininas, masculinas, Bryans, Qureshi/Rojer, Mirza/Zheng… vimos muita, muita coisa.

E isso é graças a vocês, Bruno Soares, Marcelo Melo e André Sá. Vocês lutaram muito por isso. O Brasil, gigante pela própria natureza, volta a ser temido no circuito. O tênis voltou a ter destaque em todos os lugares e as duplas vivem um momento lindo. Então fica aqui meu sincero ‘obrigada’ a todos vocês.

Em homenagem a Bruno Soares e Alexander Peya, um pequeno infográfico sobre a dupla. Fica a torcida para o Alex se recuperar completamente! 🙂

Bruno + Alex final 2

Sobre Paes, Bhupathi, Bopanna e Mirza

Nessas últimas semanas parei para refletir um pouco sobre o tênis indiano. Sempre foi uma nação fascinante em termos de resultados e é um tanto intrigante observar a quantidade e qualidade de tenistas que saíram do país nos últimos 20 anos. Qual o segredo, afinal?

A grande caminhada da atual geração indiana começou com Mahesh Bhupathi em 1997, quando tornou-se o primeiro do país a ganhar um grand slam (mistas em Roland Garros). O sucesso é claro nas duplas. Com exceção de Sania Mirza, que foi top 30 antes de focar exclusivamente nas duplas por lesões, a Índia não possui qualquer tenista top em simples faz muito tempo. Indianos sempre se deram bem em esportes coletivos, como cricket e hóquei de grama, além de bons resultados na Copa Davis em épocas passadas. Talvez essa mentalidade de trabalho em equipe seja algo que venha da cultura e, como Boris Becker disse certa vez, tênis (em simples) é um esporte individual e você precisa ter a mentalidade de poder fazer tudo sozinho para ser bem sucedido.

No masculino o destaque é maior, com 5 tenistas entre os cem melhores. Os maiores méritos vão para Leander Paes e Mahesh Bhupathi. Juntos, conseguiram colocar o nome da Índia no mapa do tênis chegando na final de todos os slams no mesmo ano (1999) e tornando-se os melhores do mundo. Com 40 e 39 anos respectivamente, é normal pensar que esse legado terminará quando ambos aposentarem, mas Rohan Bopanna, em seus 33 anos, e as revelações Divij Sharan e Purav Raja, ambos de 27, pretendem levar o nome da nação nas duplas ainda mais longe.

Mahesh Bhupathi e Leander Paes.

Mahesh Bhupathi e Leander Paes.

Mas nem tudo são flores. Apesar da quantidade de tenistas bem sucedidos saindo do país, a Índia nunca possuiu um bom sistema de formação de atletas. O sistema atual, inclusive, incomoda muitos ex-tenistas. Nirupama Vaidyanathan, ex-top 200 em duplas e simples e a primeira indiana a ganhar uma partida de grand slam, declarou em agosto que ainda não está satisfeita com o trabalho que vem sendo desenvolvido pela All India Tennis Association (AITA) e que chegou a ser rejeitada ao tentar oferecer ajuda ao tênis indiano feminino.

“A AITA poderia ter feito mais na minha época. Eles não estavam preocupados em chegar ao topo ou em me ajudar. Eles estavam lá do meu lado apenas por estar, apenas existiam.”

“Eu queria trabalhar com a confederação. Eu não tenho nenhum problema com eles. A AITA não aceitou minha oferta. Espero que no futuro nos entendamos.”

O reflexo disso é que apenas Sania Mirza figura dentro do top 300 feminino, tanto em simples quanto nas duplas, pela Índia. Sania, aliás, revela as pobres condições de quando começou a se interessar por tênis.

“Quando eu comecei a jogar, nós costumávamos jogar em quadras feitas de cocô de vaca, elas eram literalmente feitas de cocô. Não estou brincando, não sei porque elas eram feitas daquele jeito, mas não tinha nenhuma quadra dura em Hyderbad.”

Um dos casos mais recentes intriga. Mahesh Bhupathi, após quatro Olimpíadas sem sucesso ao lado de Leander Paes, havia planejado jogar as Olimpíadas de Londres com seu parceiro da época, Rohan Bopanna. Paes não ficou contente ao saber da notícia. Como era o melhor ranqueado do país, Leander queria o direito de escolher o melhor parceiro possível disponível e pediu à confederação que o nomeasse com Bhupathi para a competição. Bopanna e Bhupathi não aceitaram, o que causou revolta por parte da AITA, que imediatamente os puniu, banindo-os da Copa Davis até o segundo semestre de 2014. Após tanta controvérsia, a Índia precisou nomear dois pares para Londres, sendo Bhupathi/Bopanna e Paes/Verdhan.

Mahesh Bhupathi e Rohan Bopanna.

Mahesh Bhupathi e Rohan Bopanna.

A AITA, para evitar que os rumores de que Leander Paes havia ficado tão chateado que desistiria do torneio tornassem realidade, ofereceu a Leander a oportunidade de jogar com Sania Mirza nas duplas mistas. A indiana não ficou feliz de ter sido utilizada, como ela mesma definiu, de ‘isca pacificadora’ pela confederação. Ela preferia jogar com alguém em que já tinha tido algum sucesso (Bhupathi), do que ser tratada como mercadoria, sem ao menos ser consultada. Em resposta às críticas de Mirza, o presidente da AITA soltou em comunicado as seguintes declarações:

“Nós pedimos para que todos os jogadores unam-se, esqueçam suas diferenças, parem de falar publicamente e deem as mãos para o interesse nacional de ganhar medalhas e trazer a glória para a nação”

“A decisão pode ter sido injusta com Leander mas nós sabemos que ele está sempre pronto para sacrificar suas vontades pelo bem da Índia.”

O problema de Mahesh Bhupathi e Leander Paes, aliás, era bem maior do que apenas a falta de sucesso olímpica. Mahesh não pensa duas vezes em chamar Paes de “traidor, ele apunhala pelas costas”, referindo-se à separação repentina no final de 2011, em que Leander não consultou Bhupathi ao querer terminar a parceria. A briga foi tão infeliz que até hoje os dois não se falam direito.

Sania Mirza e Leander Paes.

Sania Mirza e Leander Paes.

A AITA, por meio desse incidente olímpico, mostrou-se altamente influenciável e, na minha opinião, muito fraca administrando algo tão grande. O futuro parece ser sombrio pelas idades de Leander Paes e Mahesh Bhupathi. O último anunciou no ano passado que 2013 seria seu último ano de carreira. Sania Mirza não parece ser mais a mesma de antes, em decorrer das lesões. Rohan Bopanna, 33 anos, parece carregar o futuro do tênis indiano em seus ombros. Renovação nunca é fácil, e parece estar sendo mais difícil do que pensavam.

Falando na nova geração, a administração da AITA chegou a causar um boicote este ano por parte de alguns tenistas que, liderados por Somdev Devvarman, pediam por um melhor apoio por parte da confederação na Copa Davis. Dentre as sugestões propostas pelos atletas estavam melhorias na premiação por participação na competição, troca de técnico e capitão e direito de voz na escolha de local. Paes não boicotou o confronto contra a Coreia do Sul como os outros. Sugere-se que este não juntou-se aos demais por ter regalias vindas da confederação. Divij Sharan, uma das novas caras, já comentou que não recebe apoio financeiro da AITA, não possui patrocinadores e paga suas viagens do próprio bolso.

Enfim, escrevi esse post inteirinho e não consegui responder minha primeira questão. Com tanta controvérsia, problemas de gerenciamento e briga de egos, a Índia conseguiu tirar o melhor de tudo e sair por cima. Não há segredo. Os talentosos indianos surgiram por pura sorte do país. E o pior é que a situação parece ser semelhante em muitos países, incluindo o nosso, o que reflete a infeliz realidade do tênis. Só mostra que o que vemos nem sempre é resultado de um sistema bem organizado.

Resumão Numérico

Antes que comece a parte mais pegada da temporada, nada melhor do que números para analisar esses 7 primeiros meses. Começo com alguns das duplas e passo para os de simples, é só descer e ler. Ah, os números valem até o dia 29 de julho, data do fechamento do último ranking! 🙂

Ranking – premiação acumulada (simples/duplas)

Ranking e Nome Ano Simples Duplas
1 Novak Djokovic $5,750,797 $5,747,447 $3,350
2 Rafael Nadal $5,714,859 $5,707,749 $7,110
3 Andy Murray $4,940,806 $4,932,310 $8,496
4 David Ferrer $2,785,930 $2,781,379 $4,551
10 Bob Bryan $1,206,278 $0 $1,206,278
10 Mike Bryan $1,206,278 $0 $1,206,278
29 Ivan Dodig $672,704 $469,467 $203,237
65 Bruno Soares $372,114 $0 $372,114
66 Alexander Peya $360,229 $0 $360,229
80 Nenad Zimonjic $285,548 $1,493 $284,055
96 Robert Lindstedt $248,988 $0 $248,988
98 Thomaz Bellucci $244,104 $178,610 $65,494
99 Aisam-Ul-Haq Qureshi $240,074 $0 $240,074
99 Jean-Julien Rojer $240,074 $0 $240,074
223 André Sá $60,792 $0 $60,792

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Bola na rede altera o placar.

No pique dessa final sensacional da Libertadores, nada mais justo que um post sobre futebol! O esporte mais popular do mundo transforma qualquer um em louco, até mesmo seus torcedores famosos e aqui eu listo alguns tenistas e seus clubes. No fim, todos nós fazemos as mesmas coisas: torcemos, cornetamos e damos opinião sobre esse esporte que move milhões.

Bruno Soares e Marcelo Melo – Cruzeiro
Os mineiros são cruzeirenses confessos, mas sempre tem alguém que pergunta se eles torcem pro Galo. É Cruzeiro!

[tweet https://twitter.com/marcelomelo83/status/330071770403061760]

André Sá – Atlético Mineiro
Esse é o mineiro que torce pro Galo. E ele aproveitou o bom momento do Atlético na Libertadores pra dar uma zoada nos amigos cruzeirenses.

[tweet https://twitter.com/Andre_Sa77/status/355336756318584832] Continuar lendo

E meu irmão veio colocar a culpa em mim.

Você aí, tem irmão e já pensou em jogar com ele? Eu, pelo menos, sairia no tapa com o meu no terceiro game. Pra jogar com parente, tem que ter paciência, e na tour temos vários casos de irmãos que jogam ou jogaram juntos. Aqui, eu apresento alguns deles. Lembra de mais algum caso bacana de irmãos no tênis, que jogaram juntos? Comentem na caixinha!

Bob e Mike Bryan
Nada mais justo do que começar com os gêmeos do mal. Essas criaturas do inferno dominam as duplas desde que Judas perdeu as botas e tem uma ‘vantagem’ de se conhecerem por 35 anos. Chega a ser medonho vê-los em quadra, movimentos iguais, espelhados (um destro, outro canhoto), sabem o que o outro pensam… foram feitos para jogar duplas. Mas, como todo irmão, eles confessaram que já brigaram por causa de uma partida. Um colocou a culpa no outro, falou que o outro jogou mal e saíram no tapa, chute, soco. Super gêmeos, ativar.

Bob-Bryan-and-Mike-Bryan-won-the-gold-medal-in-mens-doubles-London-Olympics-177853 Continuar lendo

Mais do que motivos.

Já escrevi um post com 10 motivos para gostar de Ivan Dodig, mas 10 motivos estão longe de descrever o que é Ivan Dodig. Espero conseguir passar um pouco da essência de tudo o que o croata fez em sua carreira e o que o torna um dos homens mais interessantes do circuito neste singelo post.

Fiquei bastante emotiva depois dessa final que ele e o Marcelo fizeram em Wimbledon. Mais do que isso, fiquei orgulhosa. Conheci o Ivan por intermédio de Marin Cilic, que é meu tenista (sem mononucleose) favorito, em meados de 2010. Os dois são melhores amigos, nasceram na mesma cidadezinha na Bósnia e Herzegovina e treinavam juntos desde pequenos. Marin faz questão de citar Ivan como melhor amigo, como o cara que sempre o inspirou a continuar. Ele também já declarou que simplesmente não consegue se concentrar totalmente nas partidas contra o Ivan, porque ele sempre será seu ‘irmão’ e as partidas sempre parecerão amistosos.

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Pra mim, Ivan é o maior exemplo que um juvenil pode ter. Passou por todas as dificuldades possíveis, mas não desistiu. Nem se quer pensou em desistir, seguiu em frente pra completar o sonho de ser um tenista.

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A grama do vizinho nem sempre é mais verde.

Wimbledon é o torneio favorito da maioria dos tenistas, principalmente dos duplistas. Além de ser Wimbledon, com toda sua tradição e excelência, é o único torneio da tour que oferece qualifying para as duplas e os jogos são em melhor de 5 sets. Nada de match tie-break (ruim pro meu blog que fica sem merchan ambulante), o quinto set é longo e vemos batalhas épicas e longas durante as duas semanas.

Falando em épico, a grama inglesa ganhou tons de azul e amarelo esse ano. Os brasileiros mostraram que não vieram para brincar. Em seu torneio favorito, Marcelo Melo fez sua segunda final de slam (a primeira foi nas mistas em Roland Garros 2009, com Vania King), em uma campanha sólida, eliminando fortes adversários como Mirnyi/Tecau e Paes/Stepanek. Mais do que isso, fez história. Tornou-se o primeiro brasileiro a chegar na final de duplas masculinas e, junto com Bruno Soares, os primeiros desde Maria Esther Bueno em 1967 a chegar numa final de Wimbledon.

O mineiro e o croata mostraram como o time é entrosado e que nem as maratonas que Dodig precisou enfrentar os impediram de jogar em alto nível. Esta é apenas a segunda final da parceria, sendo a primeira em Memphis, no ano passado. Lugar de girafa é na grama mesmo. #seguraagirafa

Foto: Julian Finney/Getty Images Europe

Foto: Julian Finney/Getty Images Europe

Na final, enfrentaram os irmãos Bob e Mike Bryan, que também buscavam um recorde inédito: com a vitória em Wimbledon, são os únicos duplistas da história campeões dos quatro Grand Slams e medalha de ouro nas Olimpíadas ao mesmo tempo, o Golden Slam. Aliás, como Mike Bryan nomeou, ““O Golden non-calendar Bryan Slam. São muitas palavras”. O chamado ‘calendar Grand Slam’, que consiste em ganhar os quatro slams seguidos, só foi conseguido uma vez, pela dupla australiana Ken McGregor e Frank Sedgman em 1951.

Os irmãos, aliás, aumentaram a incrível sequência de vitórias seguidas para 24. Os americanos não perdem uma partida desde o Masters de Monte Carlo, quando caíram para Benneteau/Zimonjic na final. Desde então, colocaram no bolso os títulos de Madrid, Roma, Roland Garros e Queen’s, sendo dois deles (Madrid e Queen’s) disputados com Peya/Soares.

Bob Bryan, antes da final, falou um pouco sobre enfrentar Dodig e Melo: “Quando você joga contra um time novo, às vezes você está jogando contra o time durante a lua de mel deles. Tudo é novo e fresco. Estão atirando para todos os lados. É difícil. Quando um time novo dá certo, você realmente tem que assistir um vídeo deles e tentar descobrir o que que eles estão fazendo de diferente.”

Apesar de terem atingido o 15º slam, a mídia americana parece não dar bola. Em Wimbledon, noticiaram que todos os americanos haviam sido eliminados do torneio, o que pareceu um pouco estranho para os irmãos. Mike Bryan explica que “Os fãs hardcore de tênis adoram duplas, mas o fã normal de esportes não sabem nada. Eles amam estrelas. Duplistas não são estrelas.”

Nas mistas, Bruno Soares mostrou mais uma vez porque figura entre os melhores. Ao lado da norte-americana Lisa Raymond, foram os únicos da chave a não perder set no caminho para a final. Apesar de ser apenas o segundo torneio juntos, são dois tenistas sólidos, bons em todos os golpes e que procuraram não dar chances para os adversários. Receita para o sucesso.

A campeoníssima Raymond, dona de, agora, 12 títulos de Grand Slam, disse que se sentiu segura com Bruno durante a semana toda, o que resultou numa campanha perfeita no caminho para a final.

Na final, enfrentaram a forte dupla formada pelo canadense Daniel Nestor e a francesa Kristina Mladenovic, que vêm de final em Roland Garros, onde perderam para os tchecos Frantisek Cermak e Lucie Hradecka. Mladenovic foi sólida durante toda a partida, principalmente nas devoluções, encaixando paralelas maravilhosas. Nestor demorou para entrar no jogo, mas no segundo set o saque finalmente entrou, confirmando facilmente o serviço. Raymond teve dificuldade em variar seu saque e o jogo da americana com Bruno pareceu não encaixar em momentos cruciais.

Foto: Thomas Lovelock/AELTC

Foto: Thomas Lovelock/AELTC

Formalidades e estatísticas à parte, é muito bom ver que o tênis brasileiro voltou a ser referência mundialmente, sendo respeitado no circuito, e que o público está começando a se interessar por duplas. Mais do que isso, o público perceber que não é só de simples que vive o tênis. Os jovens que estão começando podem ver que ser duplista também é carreira, não última opção.

Num país que respira futebol, foi bom ver o Jornal Nacional noticiando as classificações de Melo e Soares para a final. Foi bom ver todos vocês comentando nas redes sociais e torcendo muito por nossos tenistas. Foi bom ver a mobilização que vocês fizeram para pedir a transmissão das finais no Sportv. São nessas pequenas coisas que o tênis se apoia, se promove e cria interesse.

A ideia do título deste post se apoia justamente nisso: é bom olhar para nossa própria grama e ver que ela é tão verde quanto a do vizinho. Eu acredito no tênis brasileiro, e você?

Wimbledon 2013 – campanha dos brasileiros nas duplas

Duplas masculinas

  • André Sá e Marcelo Demoliner
    1ª rodada: Bryan/Bryan 6/4 6/4 6/1 Demoliner/Sá
  • Bruno Soares e Alexander Peya (Áustria)
    1ª rodada: Peya/Soares 6/4 3/6 6/3 6/4 Butorac/Ram

    2ª rodada: Peya/Soares 4/6 6/1 6/7 7/5 10/8 Hanley/Smith
    3ª rodada: Bopanna/Roger-Vasselin 6/4 4/6 7/6 6/2 Peya/Soares
  • Marcelo Melo e Ivan Dodig (Croácia)
    1ª rodada: Dodig/Melo 6/3 7/6 6/2 Giraldo/Russell

    2ª rodada: Dodig/Melo 7/6 7/5 6/4 Bednarek/Kowalczyk
    3ª rodada: Dodig/Melo 6/7 2/6 6/4 6/2 6/4 Mirnyi/Tecau
    Quartas: Dodig/Melo 7/5 6/0 6/7 6/4 Blake/Melzer
    Semi: Dodig/Melo 3/6 6/4 6/1 3/ 6/3 Paes/Stepanek
    Final: Bryan/Bryan 3/6 6/3 6/4 6/4 Dodig/Melo

Duplas mistas

  • Bruno Soares e Lisa Raymond (EUA)
    1ª rodada: bye

    2ª rodada: Raymond/Soares 6/2 6/3 Husarova/Polasek
    Oitavas: Raymond/Soares 6/3 6/4 Arvidsson/Nielsen
    Quartas: Raymond/Soares 7/6 7/6 Barty/Peers
    Semi: Raymond/Soares 6/4 6/4 Dushevina/Rojer
    Final: Mladenovic/Nestor 5/7 6/2 8/6 Raymond/Soares
  • Marcelo Melo e Liezel Huber (EUA)
    1ª rodada: bye

    2ª rodada: Huber/Melo 4/0 (ret) Schiavone/Ram
    Oitavas: Barty/Peers 6/4 1/6 6/2 Huber/Melo

Juvenil – duplas masculinas

  • Rafael Matos e Marcelo Zormann
    1ª rodada: Kokkinakis/Kyrgios 4/6 6/3 6/4 Matos/Zormann

Juvenil – duplas femininas

  • Carolina Meligeni Alves e Sara Tomic (Austrália)
    1ª rodada: Alves/Tomic 6/2 6/1 Ferro/Lombardo

    2ª rodada: Alves/Tomic 6/4 6/7 6/0 Brogan/Lumsden
    Quartas: Krejcikova/Siniakova 6/4 6/0 Alves/Tomic

Brasileiros que possuem títulos de Grand Slam

  • Maria Esther Bueno
    Simples:
    Wimbledon (1959, 1960, 1964)
    US Open (1959, 1963, 1964, 1966)
    Duplas:
    Australian Open (1960)
    Roland Garros (1960)
    Wimbledon (1958, 1960, 1963, 1965, 1966)
    US Open (1960, 1962,1966, 1968)
    Mistas:
    Roland Garros (1960)
  • Thomaz Koch
    Mistas:

    Roland Garros (1975)
  • Gustavo Kuerten
    Juvenil (duplas):
    Roland Garros (1994) 
    Simples:
    Roland Garros (1997, 2000, 2001)
  • Tiago Fernandes
    Juvenil (simples):

    Australian Open (2010)
  • Bruno Soares
    Mistas:

    US Open (2012)

Brasileiros que fizeram final em Grand Slam

Juvenil: Ivo Ribeiro, Ronald Barnes, Edison Mandarino, Thomaz Koch, Luis Felipe Tavares, Ricardo Schlachter, Guilherme Clezar, Beatriz Haddad Maia 
Profissional: Maria Esther Bueno, Cláudia Monteiro, Cássio Motta, Jaime Oncins, Marcelo Melo, Bruno Soares