Duplas de Melo e Soares avançam; Demoliner/Middelkoop dão adeus

A quarta-feira foi de vitória para as duplas de Marcelo Melo e Bruno Soares em Roland Garros. Ao lado de Lukasz Kubot, Melo fez a sua estreia na quadra central e superou os anfitriões Arthur Cazaux e Harold Mayot num duplo 6/2, com 1h20 de duração, para avançar à segunda rodada. Esta é a 14ª participação de Marcelo no torneio parisiense, disputando todas as edições desde 2007.

Foto: Peter Staples/ATP

“Eu fiquei muito feliz de poder ter jogado a primeira rodada na quadra central. Tenho belas recordações de lá, quando fui campeão com o Ivan. Então realmente foi muito especial estrear na Philippe-Chatrier. Normalmente jogamos a final lá. Estrear o torneio jogando muito bem, na quadra central, foi muito legal, muito prazeroso”, disse Marcelo, recordando o título de Roland Garros conquistado em 2015, com Dodig.

Melo e Kubot já voltam em quadra nesta quinta-feira. A dupla cabeça de chave 4 vai encarar os norte-americanos Nicholas Monroe e Tommy Paul em busca de uma vaga nas oitavas. “Agora é seguir firme amanhã. Já jogamos de novo, com foco total. Temos um jogo duro. Acho que foi muito importante a maneira que jogamos hoje do começo ao fim. Foi muito positivo o dia, em especial pela Chatrier”, completou o mineiro, contente com a performance.

Bruno Soares e Mate Pavic também tiveram uma ótima estreia no Grand Slam francês. Os cabeças de chave 7 estrearam com vitória após superarem a dupla formada pelo neozelandês Marcus Daniell e o austríaco Philipp Oswald por 6/2 e 6/3.

“Foi uma estreia muito boa, muito feliz. Em condições que a gente nunca viu em Roland Garros: setembro, frio, à noite e com luz artificial. Jogamos muito bem, conseguimos deixar o resultado confortável. Seguimos surfando nessa onda de energia e de confiança que a gente vem trazendo desde o US Open”, disse Soares, contente por continuar o bom momento de Nova Iorque, onde conquistaram o título do Grand Slam norte-americano.

Na próxima rodada, Bruno e Pavic enfrentarão o argentino Andres Molteni e o monegasco Hugo Nys. “Vai ser pedreira, Nys e Molteni jogam muito bem no saibro. Nós assistimos a primeira rodada deles, que venceram Gille/Vliegen, uma dupla sempre perigosa. Agora, nós temos mais um dia para nos preparar e ir com tudo na sexta-feira”, finalizou Soares, enfatizando a qualidade dos adversários.

Bruno está disputando a sua 13ª edição de Roland Garros e vai em busca de um título inédito na sua carreira. Em Paris, o brasileiro conta com duas semifinais nas duplas masculinas como seus melhores resultados no torneio, em 2008 (com Dusan Vemic) e 2013 (Alexander Peya). Nas duplas mistas, outras duas semifinais, com a última acontecendo na temporada passada.

Pouco tempo depois foi a vez de Marcelo Demoliner. O gaúcho e o holandês Matwe Middelkoop caíram nos detalhes para o britânico Daniel Evans e o polonês Hubert Hurkacz, com parciais de 7/6, 3/6 e 7/5, encerrando as suas participações em Roland Garros.

A partida foi tensa e contou com um atrito entre Evans e Middelkoop, gerado após o britânico gritar na direção da parceria do brasileiro. A discussão entre os jogadores seguiu e precisou de intervenção do árbitro de cadeira.

Nestor/Zimonjic, Bryans e o saibro

Ao anunciar a retomada da parceria no ano passado, Nestor, em entrevista ao canadense Globe and Mail, disse que seria injusto não tentar mais uma vez, visto que ele e Zimonjic tiveram muito sucesso no passado. “Nós nos entendemos muito bem, temos um ponto de vista semelhante e um estilo de jogo bem agressivo, o que complementa muito bem um ao outro,” declarou.

Daniel Nestor, que está há 24 anos na tour, o único duplista a atingir a marca de 900 vitórias e considerado por muitos de seus companheiros de profissão como o melhor duplista da história, estava animado com o retorno: “Nós retomamos a parceria porque, no passado, conseguimos lutar de igual para igual com os Bryan, chegamos ao posto de número 1 do mundo e tivemos três anos fantásticos. É por isso que nós voltamos.”

Os Bryan são o objetivo de qualquer time. Igualá-los. Vencê-los. Jogar de igual para igual. É impossível para a maioria dos times, menos para Nestor e Zimonjic. O canadense e o sérvio conseguiram feitos incríveis nos três anos em que atuaram juntos e parecem ter voltado àquela mesma forma mais uma vez. Os dois possuem 11 vitórias e 7 derrotas contra os gêmeos, uma superioridade rara no tênis, visto que pouquíssimos times possuem uma considerável vantagem no confronto direto contra os Bryan. Destes 18 encontros, 15 foram finais e apenas 6 foram a favor dos gêmeos. Os outros 3 confrontos foram em semifinais, com duas vitórias de Nestor/Zimonjic. Este aproveitamento, aliás, é o maior de um time contra os Bryans. Em 2014, os números mostram uma possível caminhada que segue os passos do passado, sendo duas vitórias em Madri e Roma e uma derrota. 

Agora, na temporada de saibro, a dominância de Nestor e Zimonjic é ainda mais clara. Nos três anos ativos como dupla e neste início de ano, o time possui quase 86% de aproveitamento, com apenas 10 derrotas no piso. Os Bryan possuem 222 vitórias e 64 derrotas no saibro em toda a sua carreiro, sendo 77,6% de aproveitamento. Vejam os dados de Nestor/Zimonjic detalhados abaixo:

Carreira: 202 vitórias, 63 derrotas
Saibro – 62 vitórias, 10 derrotas = 86,1%
Hard – 72 vitórias, 37 derrotas = 69,2%
Hard indoor – 31 vitórias, 11 derrotas = 73,8%
Grama – 19 vitórias, 3 derrotas = 86,3%
Carpete – 7 vitórias, 1 derrota =87,5%

2014 – 28 vitórias, 7 derrotas
13/2 – saibro = 86,6%
14/4 – hard = 77%
1/1 – hard (indoor) = 50%

2012 – 4 vitórias
4/0 – hard (indoor) = 100%

2010 – 57 vitórias, 19 derrotas
16/3 – hard (indoor) = 84,2%
21/12 – hard = 63,6%
3/2 – grama = 60%
17/2 – saibro = 89,4%

2009 – 57 vitórias, 17 derrotas
13/3 – hard (indoor) = 81,25%
18/11 – hard = 62%
6/1 – grama = 85,7%
20/2 – saibro = 90,9%

2008 – 47 vitórias, 17 derrotas
7/5 – hard (indoor) = 53,3%
18/8 – hard = 75%
10/0 – grama = 100%
12/4 – saibro = 75%

2007 – 8 vitórias, 3 derrotas
1/2 – hard (indoor) = 33,3%
7/1 – carpete = 87,5%

Restringindo apenas à participação das duas duplas em Roland Garros, temos Bryans com 52 vitórias e 13 derrotas em 15 aparições, enquanto Nestor/Zimonjic apresentaram 15 vitórias e 2 derrotas em 3 aparições. Roland Garros, aliás, é o slam em que os gêmeos possuem menos títulos, dois: o primeiro em 2003 e o último 10 anos depois, em 2013. Sendo assim, há de concordar que as chances de quaisquer outras duplas acabam aumentando. Max Mirnyi e Daniel Nestor, por exemplo, aproveitaram este hiato de 10 anos conquistando quatro títulos cada na capital francesa. 

Obviamente o período de atividade dos Bryan juntos é maior do que o de Nestor e Zimonjic como um time. Assim, vamos comparar o mesmo período de ambos os times, também no saibro:
2008 – Bryans: 2 títulos, 15 vitórias e 3 derrotas em 5 torneios. Nestor/Zimonjic: 1 título, 12 vitórias e 4 derrotas em 5 torneios.
2009 – Bryans: 1 título, 16 vitórias e 6 derrotas em 7 torneios. Nestor/Zimonjic: 4 títulos, 20 vitórias e 2 derrotas em 6 torneios. Observação: Nestor/Zimonjic venceram os Bryans duas vezes no saibro neste ano.
2010 – Bryans: 3 títulos, 18 vitórias e 3 derrotas em 7 torneios. Nestor/Zimonjic: 3 títulos, 17 vitórias e 2 derrotas em 5 torneios. 
2014 – Bryans: 2 títulos, 13 vitórias e 2 derrotas  em 4 torneios. Nestor/Zimonjic: 2 títulos, 13 vitórias e 2 derrotas em 4 torneios. Observação: Nestor/Zimonjic venceram os Bryans duas vezes no saibro neste ano e perderam uma. 

Total
Bryan/Bryan: 7 títulos, 62 vitórias e 14 derrotas em 23 torneios
Nestor/Zimonjic: 10 títulos, 62 vitórias e 10 vitórias em 20 torneios

Todos números indicam uma leve vantagem para Nestor/Zimonjic. Após a final em Madri, Nestor comentou um pouco sobre a rivalidade. “Parece que contra os Bryan nós conseguimos jogar o nosso melhor quando realmente precisamos. Hoje, nós conseguimos uma vantagem no início do jogo, esse é o segredo,” declarou. O canadense, em Roma, também ressaltou a confiança que os resultados recentes promoveram: “Essa é a melhor situação para estar antes de um grand slam. Nós estamos com a confiança alta e conseguimos jogar quatro partidas incríveis aqui em Roma. É um ótimo sinal.”

O sinal parece estar verde para o canadense e o sérvio, mas quando se trata dos Bryan, quanto maior o desafio, maior a luta. Os times nunca se enfrentaram em Roland Garros e este duelo inédito poderá acontecer em uma provável semifinal, mas para isso, ambos precisarão enfrentar outras duplas tão motivadas a vencer quanto eles. É interessante ver boas rivalidades e os próximos dias prometem muita emoção.